O diretor de filmes como “Tolerância”, com Maitê Proença, falou sobre o mercado cinematográfico brasileiro
No dia 15 de junho, a Faculdade Cásper Líbero recebeu o cineasta Carlos Gerbase, que é professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e integrante da Casa de Cinema de Porto Alegre. Ele foi realizador de longas como Tolerância, que tem como protagonista a atriz Maitê Proença, e 3 Efes, que teve lançamento simultâneo nos cinemas, em DVD, na televisão e na internet. Além disso, Gerbase oferece cursos à Rede Globo para apresentar a estética do documentário e de sua produção. E foi justamente esse o primeiro assunto abordado pelo convidado.
O diretor de filmes se dedicou a estudar o cinema de baixo custo e, para aprofundar o seu campo de pesquisa, esteve na França por seis meses e pôde observar de perto a realização cinematográfica em um local que valoriza, “por essência”, as atividades culturais. Atualmente, Gerbase está finalizando o longa-metragem Menos que Nada, que teve o custo de produção de R$ 600 mil. A verba foi concedida pela Petrobras após ele ter sido vencedor de um Concurso promovido pela empresa para mídias digitais.
A filmagem foi feita com câmeras que foram produzidas sob encomenda pela Agência Reuters, que desejava ter um equipamento que pudesse fotografar e filmar com eficiência. “Façam com baixo custo, mas com alta qualidade”, orienta o cineasta, que sempre se preocupa em ter uma equipe de produção que possa garantir a melhor qualidade possível de imagem e som.
Para ele, também é importante que os cineastas brasileiros reconheçam a repercussão que a internet e a televisão a cabo podem ter na divulgação de um filme produzido no Brasil. Isso porque o circuito de salas geralmente está mais interessado em passar longas com a garantia de bilheteria do que apostar em produções pequenas. De acordo com Carlos Gerbase, são muito raros os casos de blockbusters nacionais, como Tropa de Elite 2, que levou mais de 11 milhões de pessoas aos cinemas. “O Brasil tenta reproduzir o que dá certo nos Estados Unidos, mas isso não é possível”, aponta.
A experiência do diretor com o sistema de repercussão pela internet se deu pela primeira vez com o filme 3 Efes, que foi postado na internet. Até agora, já foram mais de 120 mil visualizações – algo que, segundo Gerbase, não poderia acontecer facilmente nas salas.
De qualquer forma, o cinema brasileiro está mudando ao longo do tempo e as formas de divulgação também. O grande universo da internet amplificou o trabalho de estreantes e artistas menos conhecidos, além de popularizar o acesso aos filmes.
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