O evento "Imagens da Arte, Imagens Cinematográficas" teve debate sobre a interpretação das obras de arte
Como se lê uma obra de arte? Essa foi a pergunta que deu base para a tese escrita pelo jornalista e professor da Faculdade Cásper Líbero, Carlos Costa. O projeto, que foi feito para uma aula de design gráfico para os alunos do quarto ano da graduação de Jornalismo, foi o primeiro a ser apresentado no Seminário Imagens da Arte, Imagens Cinematográficas. A obra de referência para a análise da observação de uma obra artística foi Os Embaixadores, de Hans Holbein.
Diante da presença de inúmeros elementos na tela do pintor alemão, o jornalista fez uma análise profunda das interpretações que podem ser feitas com a leitura da obra. Para apresentar Holbein, Carlos Costa introduziu um breve histórico da vida do artista, que, em 1515, instalou-se na Suíça e ilustrou o livro O elogio da loucura, de Erasmo de Rotterdam. Posteriormente, o pintor entrou em contato com a pintura de Leonardo da Vinci e Andrea Mantegna. “O resultado dessa viagem foi a implementação de riqueza de detalhes, temas e cores na obra de Holbein”, comentou o professor de História da Comunicação.
Carlos Costa ainda explicou que, para “ler uma pintura”, deve haver uma busca pela intertextualidade que pode haver com outras obras. “Há mensagens distintas e em várias camadas”, afirmou. Os Embaixadores foi pintado por Holbein em 1533 e hoje se encontra na National Gallery, em Londres. O quadro se equipara à tela As Meninas, de Velázquez, em quantidade de estudos e análises.
“Os dois homens retratados parecem importantes na hierarquia da Corte”, analisa o jornalista, que foi coordenador do curso de Jornalismo. O homem à direita pode ser interpretado como um padre ou eclesiástico, por causa dos trajes, e carrega um punhal com a sua provável idade, de 29 anos. Já o da esquerda os estudiosos julgam se tratar de Jean de Dinteville, embaixador do rei Francisco I, da França.
A pesquisa teve como um dos referenciais teóricos o estudo do crítico de arte John Berger, que disse que a tela de Holbein “celebra nova classe de riqueza, com mais dinâmica e cuja porta de acesso é o supremo poder de compra que o dinheiro oferece”. Além de Berger, o estudo teve como influência o semiólogo Omar Calabrese, que foi autor da publicação “Como se lê uma obra de arte”.
Com base no estudo, Carlos Costa apresentou sete principais enigmas que podem ser analisados para a interpretação de Os Embaixadores. Para conferir cada um deles, acesse a galeria de imagens abaixo:
Comentários Postados
Sempre tive essa sensação de que os fmaosos quadros consagrados emitiam mensagens atravéz dos desenhos e dos detalhes. Muito interessante essa análise do quadro Os Embaixadores. Adorei a matéria ;)
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