Dulcília Buitoni falou sobre os conceitos da estética do cineasta russo
Referência entre profissionais e estudantes do campo da comunicação, o nome de Dziga Vertov pode é sempre citado nas aulas que estudam o telejornalismo. Aquele que também é considerado o “pai do documentário” e o principal difusor do gênero “cinema verdade” foi tema da apresentação da jornalista e professora do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, Dulcília Buitoni. Ela, que também é responsável pela iniciativa do Seminário Imagens da Arte, Imagens Cinematográficas, contou que o cineasta foi, além de diretor de filmes, estudante de Medicina, e montou uma espécie de “laboratório do ouvido”, onde guardou registros de sons e áudios – algo inovador para a época.
Em 1919, houve uma nacionalização da indústria cinematográfica russa, o que impulsionou as produções na Rússia. Três anos depois, Vertov foi contratado pelo governo e deu início à produção do “Kino-Pravda”, que é o “cinema verdade”. De acordo com um manifesto escrito pelo próprio diretor, a montagem deveria estar pautada por “registros visuais e sonoros”, com novas perspectivas para o uso dos equipamentos de filmagem.
Após explicar um pouco da biografia de Dziga Vertov, a professora dissertou sobre o “cineolho”, que seria uma definição que conjuga “meio e instrumento”, sendo que “o olho da máquina poderia ser mais potente que o humano”. “Vertov já acreditava que a tecnologia faria mais que o ser humano com o passar do tempo”, ponderou Dulcília.
Para contextualizar a teoria, foram exibidos trechos do filme “O homem com uma câmera”, que é um marco importante por mostrar episódios cotidianos da vida das pessoas e, ao mesmo tempo, revelar ao espectador o processo de filmagem e edição de um longa-metragem. “Desconstruindo um roteiro, Vertov foi construindo a sua própria estética”, definiu a pesquisadora.
A bibliografia principal de Dulcília Buitoni para a análise foram os teóricos Lev Manovich, Lucia Santaella, Josep M. Català, Ismail Xaiver e o próprio Dziga Vertov, em El Cine-Ojo, publicado em 1974 pela editora Fundamentos.
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