Arte do canal

índice geral



Home / Jornalismo / Notícias

10/06/2011 - 17h29 - Atualizado em 21/05/2012 - 09h29

Inserção no íntimo da imprensa

Rafaela Carrilho, 2º ano de Jornalismo


Divulgação
O autor fala da rotina
de trabalho na Folha
e Estadão

Alerta para estar disposto a fazer uma boa ação todos os dias. Alerta à possibilidade de irrupção de um fato noticiável e para evitar erros e reconhecer melhores oportunidades na área. Essas são as indicações do jornalista Jorge Claudio Ribeiro para o título de seu livro, que sintetiza o estado em que um jornalista deve estar constantemente. O livro “Sempre Alerta – Condições e contradições do trabalho jornalístico” é a adaptação da tese de doutorado em Ciências Sociais do autor, que faz um estudo de campo de dois dos maiores jornais do país: O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo.

 Em sua obra, Ribeiro faz um panorama da história da imprensa e conta como foi o processo de amadurecimento da profissão. Diante disso, mostra como o jornalismo foi perdendo o seu caráter romântico e literário para cada vez mais se submeter à lógica capitalista e se tornar o que é hoje: um produto industrial. Na perspectiva atual, o único fator importante é a produção em larga escala. Um exemplo claro dessas novas regras do campo é a citação que o autor faz do cientista político Antonio Gramsci: “Num jornal moderno, o verdadeiro diretor é o diretor administrativo e não o diretor de redação”.

O jornalista, até então acostumado com o âmbito acadêmico, atuou nas redações de ambos os jornais em períodos em que estes passavam por mudanças das publicações e no sistema de trabalho. Ao chegar à redação da Folha de S. Paulo, veículo que o autor denomina como “uma indústria assumida”, ele percebeu a lógica da disciplina que permeia a relação patrão-funcionário. De acordo com Ribeiro, a Folha foi um dos primeiros jornais a se organizar como empresa no Brasil. Ao analisar O Estado de S. Paulo, nota que diferente da Folha, não nasceu como empresa, e sim como referência ao jornalismo político. Porém, se tornou indústria.

Jorge Claudio Ribeiro nos conta também como é a atmosfera que envolve o exercício da profissão, o clima no qual estão inseridos os funcionários da indústria jornalística. O dono do jornal e o redator-chefe assumem uma posição de supremo poder, enquanto aos repórteres que ocupam cargos mais baixos sobra a submissão. No jogo de poder existente entre eles, que busca obter a adesão do trabalhador, são usadas técnicas como o “aliciamento” e a “coerção”. O primeiro se dá por meio das promessas e do sistema de privilégios internos, conformando os jornalistas com as normas estabelecidas. Para complementar essa técnica, exigindo o ritmo e a produtividade em larga escala, entra a coerção, que autoritariamente procura lembrar ao profissional da submissão que existe ao estar inserido nesse sistema. 

Ao longo da obra, o autor faz um retrato completo e preciso da profissão jornalística e da indústria na qual vem sendo exercida. Como constata Ribeiro, contraditoriamente o jornal, como meio de comunicação social, tem como meta o serviço público, enquanto como empresa visa somente o lucro e a produção. Diante de tal contradição, tentamos entender os caminhos que o jornalismo tem tomado e tomará. Por isso, o profissional disposto a entrar nesse meio terá que agir como o próprio título do livro sugere.