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09/06/2011 - 11h53 - Atualizado em 23/05/2012 - 16h40

Não se engane pelo título

Por Lidyanne Aquino, aluna do 3º ano de Jornalismo

“Namorados Para Sempre”, segundo filme de Derek Cianfrance, estreia no Brasil

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Reprodução
A indicada ao Oscar, Michelle
Williams, com Ryan Gosling

Se fosse possível resumir Namorados Para Sempre, de Derek Cianfrance, em uma palavra, esta seria angústia. A narrativa não linear desenvolve aos poucos os pontos principais da história de dois jovens. O primeiro contato visual, sem muitos movimentos, passa a impressão de uma realidade comum. Os perfis denotam estabilidade - um casal, uma filha e boas condições de vida.

Quem se prender à primeira impressão assistirá o esfacelamento desta. Paulatinamente, são apresentadas criaturas presas no anseio pela saída, amargurados e perdidos em meio à tentativa de abrir as portas e permitir a entrada da felicidade. Cindy (Michelle Williams) é médica - divide-se entre o trabalho e a família. Dean (Ryan Gosling), por sua vez, não possui a mesma estabilidade da parceira. Mas guarda em si um amor incomensurável, e com todo esse cuidado procura alentar a esposa e a pequena Frankie, filha do casal, vivida por Faith Wladyka.

Em Namorados Para Sempre, nada é entregue de forma objetiva, desviando-se ao máximo de possíveis obviedades. No meio do caminho, há inúmeros pontos controversos na história de ambos, oferecidos como pequenas peças de um imenso quebra-cabeça, a ser montado ao longo dos 112 minutos de filme.

No decorrer do longa, passado e presente são intercalados - o futuro permanece como extensão, reservado à imaginação de um público mais atento. Tanto Dean quanto Cindy saíram de círculos familiares conflitantes. A todo momento, apresenta-se o contraposto entre as profissões. Cindy tem uma carreira séria, com compromissos diários. Ela vê em Dean um grande potencial para tornar-se um bom profissional, mas ele não se enxerga desta maneira e permanece em um trabalho que lhe oferece certo comodismo.

Michelle Williams - indicada ao Oscar por este papel - e Ryan Gosling, dão vida aos personagens em uma interpretação munida de naturalismo, como se aquela realidade fosse-lhes comum. Há uma forma bastante espontânea de conduzir o enredo - mesmo com o contraponto, tão evidenciado pelos momentos de felicidade e de extrema tristeza, eles encontraram uma fórmula ideal, tornando a atuação convincente.

Mas não se deve enganar pelo título atribuído ao longa no Brasil. Batizado de Blue Valentine no exterior, o nome traduz perfeitamente a melancolia, fio condutor da obra, bem como a fotografia, responsável pela presença constante da cor azul na maioria dos cenários.

O título Namorados Para Sempre passa a impressão de um conto de fadas, uma história com final feliz. Mas o que se vê foge bastante a essa premissa. Derek Cianfrance faz questão de pontuar a não existência do relacionamento ausente de conflitos. Cindy, por exemplo, representa uma constante do amor - o ser humano não possui estrutura psicológica para suportá-lo em seu sentido mais verdadeiro e profundo.   
 
O longa reproduz a dificuldade de lidar com a efemeridade de todas as formas de sentimento, cada vez mais frequente em tempos modernos. Para assistir Namorados Para Sempre, é necessário uma preparação prévia - esteja pronto para ser abrigado pela consternação.



Comentários Comentários Postados
Rodrigo Oliveira[13/06/2011 - 15:29]

Desde o 'auê' no Sundance Festival, "Blue Valentine" estava na minha lista dos filmes mais esperados. Quando bati o olho na película de Cianfrance percebi que um filme arrebatador estava por vir, graças às atuações naturalistas de Gosling e Michelle. Ambos estão ESPLÊNDIDOS, MAGNÂNIMOS - atuação que prima pela sutileza de trejeitos e timing dos diálogos. Lamentável a Academia indicar filmes como "The Kids Are Alright" a melhor filme e desprezar solenemente "Blue...". A ausência de Ryan Gosling na categoria de melhor ator foi INACEITÁVEL. "Blue..." é F*** e não merece passar despercebido!

Gabriela[15/06/2011 - 12:15]

Excelente texto, Rodrigo! Incrível como você consegue traduzí-lo... Gostei bastante, foi um filme que mexeu muito comigo.. dois dias depois de assisti-lo, ainda me pego lembrando de cenas, de momentos..

Rodrigo Oliveira[16/06/2011 - 08:58]

Gabi, o texto é da Lidyanne. Eu apenas o editei. O crédito é todo dela. Ela que teve a sensibilidade de captar a avalanche de emoções que vimos na tela. Lidy, parabéns em dobro. Os meus e o da Gabriela, uma amiga do curso de Rádio e TV.

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