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08/06/2011 - 10h25 - Atualizado em 23/05/2012 - 16h39

Folk folião em debut de Mumford and Sons

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

"Sigh No More" interpela ouvinte, adicionando força ao cancioneiro folk

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Reprodução
Produzido por Markus Dravs, Sigh No More
consegue bons feitos para um primeiro álbum

Com mais de um ano de atraso em relação ao seu lançamento no Reino Unido, chega ao Brasil, Sigh No More, álbum de estreia dos ingleses do Mumford and Sons. Nas primeiras audições, o disco pode parecer apenas mais um genérico de bandas com letras carregadas de questionamentos a corações incompreendidos e melodias bem construídas, com apenas pequenos diferenciais.

Porém, alguns elementos de Sigh No More o distinguem dos outros álbuns do gênero e o fazem um dos grandes lançamentos dos últimos tempos. A reunião de Marcus Mumford com Ted Dwane, Ben Lovett e “Country” Winston Marshall resultou num conjunto de 12 grandes canções guiadas por dilacerantes temas imersos num clima melódio/harmônico de alegria.

O cd da banda de british folk rock une letras fortes às ricas construções melódicas dos multi-instrumentistas, mostrando que nem todo folião festeja as dores da vida, mas sim o momento em que a sua alma acorda para as tormentas. Tormentas essas que geram a lamúria de muitos, mas que Mumford e seus companheiros de banda convertem em combustível para fazer boa música.

A faixa-título marca o início do álbum, intimando o ouvinte a embarcar numa canção que soa quase como uma oração. Mumford canta: "O homem é uma criatura inconstante" e assim soam as músicas que constituem o disco.

A levada country bem pontuada de Roll Away Your Stone empolga até ser interrompida por frases incisivas como: "Você me disse que eu encontraria um lar dentro da substância frágil da minha alma", equilibrando, assim, os elementos que compõem a canção - que poderia soar excessivamente indigesta, não fossem os instantes nos quais os instrumentos de corda se sobressaem. Little Lion Man é outro bom momento onde os ingleses continuam a perseguir as aflições de suas almas, mas fazem a alegria emergir através do banjo de Winston.

O disco nos convida a buscar respostas às construções dos versos. A banda interpela o ouvinte, interrompendo o clima “oba oba” do conjunto instrumental, em faixas como Awake My Soul e After The Storm. The Cave, sabiamente escolhida como um dos singles, tem potencial radiofônico e representa bem a essência do álbum.

Produzido por Markus Dravs - que já trabalhou com Björk, Arcade Fire e Coldplay -, Sigh No More teve que dividir espaço com os incensados The King is Dead, do Decemberists; Last Night on Earth, do Noah and the Whale - não lançados no Brasil - e Collapse Into Now, do R.E.M. Esses álbuns são apenas alguns exemplos de trabalhos estupendos que fizeram com que o disco de estreia dos ingleses não ganhasse a devida notoriedade.

Subestimado, mas nem tanto, pois em 2011, Sigh No More levou o Brit Awards de álbum do ano e a banda foi indicada ao Grammy na categoria revelação. Agora, nos resta esperar o próximo trabalho, que já está sendo arquitetado e tem a missão de suceder a excelente estreia dos ingleses.



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