Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Filmes

03/06/2011 - 11h01 - Atualizado em 23/05/2012 - 16h34

Desavenças cotidianas em meio ao caos

Por Lidyanne Aquino, aluna do 3º ano de Jornalismo

Drama urbano de Toni Venturi tem  São Paulo como pano de fundo

Compartilhe:


Reprodução
Leandra Leal e Cauã Reymond interpretam uma
médica e um DJ gay, respectivamente, em nova
produção de Toni Venturi

Desalento. Em meio ao caos, não é surpresa recorrer às amarras invisíveis do inconsciente para ter forças perante desafios cotidianos. É esse o ponto de partida para o novo longa do diretor Toni Venturi, Estamos Juntos.

Algo que pode ser constatado logo nos minutos iniciais - São Paulo vista de cima, em uma filmagem turva, que desloca os prédios e provoca certa vertigem. Dessa forma, o espectador já se sente angustiado e em busca de algo em que possa se segurar. Sensação rapidamente rebatida pelo primeiro contato com a protagonista.

De passo firme, Carmem (Leandra Leal) tem a possibilidade de um futuro brilhante em mãos. Acaba de sair do interior do Rio de Janeiro para a metrópole paulista. Médica residente, tem a sua vida dividida entre o hospital e os estudos. Apenas quando sobra tempo, acompanha o amigo Murilo (Cauã Reymond) às baladas. O ator abandona aqui o constante papel de galã e mostra uma interpretação um pouco mais sólida no papel de um homossexual que também veio do interior do Rio de Janeiro e trabalha como DJ.

A trajetória pouco problemática é interrompida por uma grave doença que afeta Carmem. Posta em confronto interno, ela deve adaptar os pormenores cotidianos com a iminência da morte. Para encontrar forças entre a abstração e a realidade, inicia um relacionamento com o argentino Juan (Nazareno Casero) e passa a ser assistente em uma comunidade carente localizada próxima à bela Estação da Luz.

A fotografia de Lula Carvalho conduz uma delicada abordagem poética da capital paulista, a começar pela escolha de locais da cidade pouco exibidos em filmes. Oferece, assim, o cenário ideal para a ambientação do drama urbano.

A direção de Venturi e o roteiro de Hilton Lacerta (Amarelo Manga) evitam um desfecho previsível. Em diversos momentos são colocadas situações nebulosas, uma forma de não entregar a solução de imediato ao espectador. A começar pela presença de um misterioso homem na vida de Carmen, interpretado por Lee Taylor.

O enredo se desenvolve de forma clara e completa, mas sem se prender à obviedade do início ao fim. Há claramente temas recorrentes em todo filme nacional, como a sexualidade e a injustiça com os menos favorecidos. Mas a abordagem não é tão incisiva sobre esses temas - demonstram apenas traços comuns à realidade brasileira.

Elementos agregados de forma consciente e na dose certa, mesclados com bons profissionais envolvidos, tornam Estamos Juntos uma obra que não passará em brancas nuvens diante de público já acostumado às constantes falácias do cinema nacional.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.