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03/06/2011 - 18h34 - Atualizado em 21/05/2012 - 11h49

As novas linguagens tecnológicas são discutidas no 9º Fórum de Pesquisa da Faculdade Cásper Líbero

Gustavo Nárlir, editor do site

Mesa trouxe reflexões sobre o e-book, a educomunicação e o jornalismo digital de base de dados

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Mateus Grazina
Os pesquisadores discutiram as novas
ferramentas digitais de informação

     A terceira mesa do Fórum de Pesquisa começou com a apresentação da pesquisa Formato: condição para a escrita do jornalismo digital de base de dados. Uma contribuição da semiótica da cultura, de Daniela Osvald Ramos, que é professora de Novas Tecnologias da Comunicação e vice-coordenadora do curso de Jornalismo. Como objetivo principal, a tese procurou “entender o que são as linguagens digitais e o sistema de síntese de bits e códigos” dentro do conceito chamado de jornalismo digital de base de dados (JDBD).
     Diante dessa perspectiva, as ferramentas digitais foram pensadas não apenas como recursos usados pelos computadores, mas como uma ferramenta que pode intensificar a informação. “A pesquisa tenta entender a máquina como potencializadora do texto amplo, que propõe diversos tipos de mensagem”, argumenta Daniela Osvald.
     Portanto, o campo do jornalismo pode ser visualizado como uma conjunção entre o “texto da cultura” e o “texto da fronteira”, pois “faz contato com outros campos de conhecimento, segundo a pesquisadora. Partindo dos princípios de Lee Manovich, ela dissertou sobre a “delimitação do texto digital” que seria baseada nos limites que compreendem “tudo o que o número conseguir fazer enquanto cálculo”.
     Para exemplificar o seu estudo, Daniela mencionou o Foursquare, que é uma rede social de geolocalização, que identifica o local onde o usuário se encontra e oferece pontos conforme a relevância dele naquele espaço. Nesse caso, o formato faz com que haja o interesse dos internautas. “Desde o algoritmo, há uma formatação”, afirma a jornalista, que ainda se lembrou de linguagens como a “lomografia”, que trazia imagens que eram geradas de uma forma específica.
     Muitas vezes, novas linguagens digitais também podem contribuir para mudanças sociais. É o que propõe a pesquisa Educomunicação no Ensino Médio: possibilidades de construção do conhecimento, de Caio Dib. Além de se fundamentar em teorias de Paulo Freire, Zygmunt Bauman e Martín-Barbero, a tese utilizou conceitos de Célestin Freinet, pedagogo que foi pioneiro na criação de jornais de escola.
     O estudo de caso foram os agentes comunitários de comunicação, que são jovens carentes incentivados pela Coordenadoria de Juventude, da Secretaria Municipal de Participação e Parceria, a fazerem blogs sobre a comunidade em que vivem e motivar outros alunos a participar da iniciativa. Caio Dib acredita que propostas de intervenção como essa, na chamada educomunicação, podem trazer grandes transformações.

E-BOOKS

     As apresentações se encerraram com a pesquisa A análise crítica dos papéis dos e-books na distribuição dos livros no ambiente digital, da jornalista Joyce Carla. No estudo, ela faz um balanço do mercado brasileiro de e-books e lembra que muito deve ser feito para popularizar e mudar a imagem para os consumidores e as editoras. “O produto tem público, mas ainda não há essa paixão pela leitura no Brasil”, comenta a pesquisadora, que a para os 14 milhões de brasileiros que ainda são analfabetos.
     Joyce Carla explicou também que as pessoas ainda não tem consciência da funcionalidade de um e-book, que pode ir além de um arquivo em .pdf, com pouca animação. “Os e-readers, por exemplo, começaram em preto e branco e, com o tempo, tornaram-se mais atrativos e baratos”, conta. A jornalista ainda justifica que os livros em plataformas digitais podem, inclusive, auxiliar na divulgação de autores independentes.
     O assunto despertou o interesse da platéia, que tinha como participantes a jornalista Magaly Prado, que escreveu o livro Webjornalismo e comentou a dificuldade em lançar o título no formato de e-book, pois a “editora não tinha muito conhecimento sobre a tecnologia” e a implantação poderia sair caro.
     Além disso, Magaly questionou o fato de muitos livros serem transpostos para o meio digital apenas como transcrição e não estarem munidos de ferramentas que permitem maior interação com o leitor. Em resposta, Joyce Carla concorda com o posicionamento, mas lembra que a oferta de e-books no Brasil ainda é muito pequena.
     De qualquer forma, os formatos modificaram com a interação propiciada pelas ferramentas presentes nos microcomputadores e telefones móveis. Cada vez mais é preciso pensar em novas formas de interagir com o outro e levar a informação de forma rápida e acessível.

 



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