Pesquisadores analisam a influência da publicidade, a IPTV e a informação transmitida no rádio

Na segunda mesa da edição deste ano do Fórum de Pesquisa, que aconteceu no dia 25 de maio, foram debatidas três pesquisas que buscaram compreender as diversas linguagens apropriadas nos meios de comunicação.
As apresentações sobre a análise do discurso tiveram início com o pesquisador Emerson Coan expondo sua tese sobre a relação entre jornalismo e publicidade. Tendo como base a análise do jornal Folha de S.Paulo e da revista Veja, ele defendeu que o meio publicitário tem ocupado um espaço maior que o do jornalismo nessas empresas, que são jornalísticas.
Para comprovar a procedência de sua tese, Emerson Coan mostrou reportagens dos dois veículos de comunicação que evidenciavam esse problema. Em uma delas, a Folha de S.Paulo trazia uma página inteira para noticiar o lançamento da versão digital do jornal. Nesse caso, segundo o pesquisador, o objetivo não era apenas informar, mas também fazer publicidade de seu próprio produto.
Dessa forma, a prioridade dada às propagandas muitas vezes ocorre em detrimento da qualidade da informação jornalística. Coan acredita que muitas matérias não são profundas quanto poderiam por falta de espaço, o que prejudica não só o jornalista e a empresa em que trabalha, mas também o leitor.
O dualismo entre jornalismo e publicidade ainda carrega um grande dilema: o faturamento. De acordo com Emerson Coan, mesmo que os veículos de comunicação se sustentem pelos anúncios, o bom jornalismo prega a máxima independência editorial. “A publicidade é o ganha-pão do jornal e da revista, mas ela está sendo tão predominante, que fica complicado distingui-la do jornalismo”, explica.
INTERAÇÃO COM O ESPECTADOR
Em seguida, o jornalista Marcelo Cardoso expôs seu trabalho sobre o discurso radiofônico em algumas emissoras paulistanas. Ele defendeu que o rádio precisa produzir matérias mais próximas do ouvinte, que despertem seu interesse e sensibilidade.
Para mostrar como reportagens desse tipo são diferenciadas umas das outras, o pesquisador trouxe o áudio de uma reportagem em capítulos sobre a poluição do rio Tietê, da Jovem Pan. Além das ilustrações com a voz do repórter e das fontes, a matéria contém vários sons ligados ao assunto, levando o ouvinte a criar imagens mentais que o aproximam da situação.
Segundo Marcelo Cardoso, se as emissoras de rádio não se preocuparem em ilustrar melhor as reportagens, o interesse do ouvinte pelo radiojornalismo irá diminuir. E, portanto, a mídia radiofônica pode perder o que tem de mais especial, que é a mobilidade do aparelho, amplificada atualmente com a internet. “O rádio é um companheiro que pode ir com você a qualquer lugar”, disse ele.
Para encerrar as apresentações, a pesquisadora Diólia de Carvalho Graziano mostrou seu trabalho sobre Hiper TV, ou IPTV, que traz o conceito de uma televisão assistida pela internet. O funcionamento dessa tecnologia se dá por meio de uma fibra ótica, permitindo ao consumidor montar sua própria programação, ver o que quiser no horário desejado e, ao mesmo tempo, dar telefonemas ou navegar na internet.
A pesquisadora lembra que a mídia funciona muito bem lá fora. De acordo com os dados de sua tese, o país que possui mais IPTVs é a França, que supera potências como os Estados Unidos. Ao comentar sobre o futuro dessa nova tecnologia no Brasil, Diólia Graziano acredita que o Brasil ainda tem muitos obstáculos para superar. “A Hiper TV vai chegar no Brasil, mas não sei se ela terá um grande desenvolvimento, por causa da limitação de recursos que o país enfrenta para financiar novas tecnologias”, comenta.
Como uma das opções sugeridas pela pesquisadora para o crescimento dessa tecnologia no país, está a assinatura mensal, que seria paga para obter o serviço. Desse modo, ela acredita que haveria maior facilidade em obter mais um canal de comunicação com as emissoras televisivas e seria ampliada a interação com o que é transmitido.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.