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01/06/2011 - 19h22 - Atualizado em 08/05/2012 - 17h40

Mesa do 9º Fórum de Pesquisa discute o papel do rádio

Melina Sternberg, 2º ano de Jornalismo

Análises sobre a programação de uma rádio comunitária em Paraisópolis e os ouvintes da Eldorado/ESPN

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Pedro Brum
Luciane Queiroz disse que as mulhe-
res de Paraisópolis "esperam mais
programas de serviços e saúde"

A funcionalidade dos meios de comunicação vem sendo posta à prova a cada novidade tecnológica. “O rádio vai sumir”, anunciavam os apocalípticos enquanto ascendia a televisão há 50 anos e também quando ocorreu o boom da internet. A mudança no papel desse importante veículo é forte objeto de análise acadêmica – e esse foi o tema da quinta mesa do 9º Fórum de Pesquisa da Faculdade Cásper Líbero.

A debatedora Prof. Ms. Elisa M. Marconi introduziu os trabalhos dizendo-se surpresa pela continuidade nos estudos sobre rádio e por, ao mesmo tempo, eles ainda serem poucos no cenário acadêmico atual.

O primeiro trabalho exposto foi elaborado por Luciana Queiroz, fonoaudióloga e mestranda em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). A convidada apresentou o seu trabalho realizado na pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero, orientado por Irineu Guerrini Junior, entitulado Ideias radiofônicas pelas mulheres da comunidade de Paraisópolis.

A pesquisa de caráter etnográfico tinha como enfoque analisar o papel da rádio comunitária na vida das pessoas da comunidade a partir dos depoimentos de 14 mulheres que moram em Paraisópolis. Em geral, são merendeiras, professoras e membros da União dos Moradores que contaram como chegaram à comunidade, como é ser mulher e qual o papel que a rádio tem dentro desse ambiente. A partir dessas entrevistas, Luciana obteve um leque de opiniões e olhares sobre a rádio e seu papel que quebram o imaginário que há em torno do que é uma rádio comunitária.

Uma das impressões recolhidas por Luciana sobre a interrelação de pessoas em Paraisópolis conclui que “aqui tanto você dá como você recebe”. É nesse espírito de troca que Luciana finalizou a sua apresentação mostrando o que essas mulheres esperam da rádio: mais programas educativos sobre saúde da mulher, serviços, resgate da memória da comunidade e até sugestões de horários para os programas.

O segundo pesquisador a se apresentar foi Rodrigo Fonseca Fernandes, que é publicitário, radialista e doutorando em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. A dissertação de mestrado mostrada, “Jogos Orquestrais: vínculos sonoros nas jornadas esportivas da Eldorado/ESPN”, teve como objeto os ouvintes da rádio e o vínculo que estabeleciam com a programação radiofônica durante as jornadas esportivas através da internet, da televisão e da própria rádio.

Orientado pelo Prof. Dr. José Eugenio de Oliveira Menezes, Rodrigo partiu de referenciais teóricos que definiu como “ecologia da comunicação, o olhar antropológico e a epistemologia compreensiva”. Partindo do princípio baseado em Harry Pross de que a comunicação começa e termina em um corpo, Rodrigo propôs o termo “jogos orquestrais” para definir o processo comunicacional com base na interação entre pessoas e nas experiências conjuntas que elas vivem (no estádio de futebol, ouvindo rádio, comemorando um gol, por exemplo).

Rodrigo concluiu dizendo que o formato com o qual o rádio trabalha hoje pode estar deixando pra trás o potencial de vinculação que possui. “Será que há algo que o rádio ainda não falou? Será que deveríamos ter menos pressa, diminuir a velocidade das informações em prol dessa comunicação orquestral? Não será esse o papel do rádio?”, questionou o pesquisador.

Um curto debate entre os expositores e o público abraçou muitas das questões levantadas pelas pesquisas mostradas. Elisa Marconi, professora da faculdade, encerrou a mesa reforçando que “o espaço de mudança e de tentativas está na academia, que não deve temer os novos formatos, necessários para o rádio que não é o mesmo mais o de dezenas de anos atrás.



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