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01/06/2011 - 16h47 - Atualizado em 22/05/2012 - 07h31

Apresentação de pesquisas sobre cultura de rede abre o 9º Fórum de Pesquisa da Faculdade Cásper Líbero

Gustavo Nárlir, editor do site

Reflexões sobre os impactos das redes sociais e do videoclipe na internet

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Pedro Brum
Dayane de Andrade acompanhou a rotina
de acesso à internet de cinco mulheres

Entrar no Orkut, assistir um vídeo no Youtube ou escrever um tweet – por mais que isso tudo faça parte do cotidiano de muitas pessoas, é importante analisar a influência que as ferramentas virtuais exercem na comunicação. E foi este o tema central da primeira mesa do 9º Fórum de Pesquisa da Faculdade Cásper Líbero, que apresentou pesquisas sobre a interação presente na cultura de rede.

REDES SOCIAIS

Na tese “As mediações dos usuários na rede social Orkut: um estudo de caso sobre a articulação online”, Dayane Ferreira de Andrade buscou compreender a relação de alguns internautas com a rede social, que ainda é a mais acessada pelos brasileiros (conforme levantamento realizado em maio pela F/Nazca e Datafolha). Como referencial teórico, a pesquisadora utilizou a “teoria das mediações”, de Martín-Barbero, para observar como “as marcas culturais integram e dinamizam o processo de emissão e recepção da mensagem”.

Para comprovar a “teoria das mediações”, Dayane de Andrade fez uma pesquisa de campo com cinco mulheres, que tinham entre 23 e 27 anos de idade, enquanto acessavam o Orkut de seus computadores pessoais. A pesquisadora lembra que foi uma segunda opção, pois pretendia utilizar usuários com maior influência na rede social. “Eu tentei conversar e analisar o perfil dos mediadores de comunidade, mas os 20 principais não aceitaram participar. Um deles, inclusive, alegou invasão de privacidade”, conta.

Com base nas propostas de Martín-Barbero e Orozco, as diversas mediações puderam ser interpretadas na pesquisa, como a “institucional”, que foi encontrada nas referências ao núcleo familiar em fotos e recados e a “videotecnológica”, referente à conexão (que podia ser rápida e garantir um maior acesso às informações, caso houvesse banda larga). Diante disso, Dayane concluiu que “os usuários não são passivos”, pois dependem de diversos recursos físicos ou intelectuais para realizarem o acesso ao Orkut.

VIDEOCLIPE

A segunda pesquisadora a se apresentar foi Luísa Souto Maior, que explicou o conceito e os tópicos principais de sua tese “Videoclipe na atualidade: da televisão para a internet”. Ao observar de vídeos musicais em programas dos canais Multishow e MTV, ela verificou quais foram as mudanças implementadas na televisão para se adequar às propostas da internet e vice-versa.

Como método de referência prática, Luísa observou como os 21 primeiros videoclipes no ranking da programação eram formatados nos canais de vídeo na internet. “O Youtube tem muito apelo popular, com vários tipos de vídeo para relacionar e abertura para comentários”, explica.

Após o diagnóstico da transposição dos vídeos nos dois meios, Luísa percebeu que programas como o Top10 (MTV) introduziram quadros de e-mail com o telespectador para amplificar a interação, ao mesmo tempo em que os vídeos na internet refletiam aspectos que a TV divulgava. “Não existe um meio adequado para o videoclipe. Assim como a televisão quebrou paradigmas para McLuhan, o videoclipe mudou o padrão de como fazer vídeos”, reflete.

TWITTER

A terceira pesquisa discutida foi a de Mariana Prascutti, sobre “a popularidade e a influência do Twitter”. A ferramenta virtual que teve início em 2006, mas se firmou em 2009, foi o tema de estudo da pesquisa por sua crescente utilização e relevância entre os brasileiros. Ao citar os estudos da jornalista Raquel Recuero, ela refletiu sobre dois tipos de rede no Twitter: a “divergente” e a “de afiliação”. Para contextualizar essa teoria, foram escolhidos os perfis do apresentador Luciano Huck (@huckluciano) e a “web celebridade” Felipe Neto (@felipeneto) para serem acompanhados durante 10 dias.

Nesse período, véspera de eleições em 2010, Mariana contabilizou 88 tweets escritos por @huckluciano, além de 371 retweets (RT) e 201 tweets de @felipeneto, que teve ainda 884 retweets. Os números mostram que Felipe Neto tem uma popularidade superior ao do apresentador de TV que, por outro lado, tem a audiência de usuários mais relevantes, como políticos e formadores de opinião. “Luciano Huck mantém a distância entre público e privado e gera comportamentos de outros ‘twitteiros’, o que não acontece com Felipe Neto”, afirma a pesquisadora.

Este tema também foi importante para a discussão mediada pelo coordenador do curso de Publicidade e Propaganda, Rodney Nascimento. Ele destacou a importância de Dayane de Andrade ter acompanhado a rotina das pessoas analisadas para o resultado da pesquisa e lembrou que o Facebook está crescendo cada vez mais. “Até mesmo dizem que estão ‘orkutizando’ o Facebook, por causa de sua popularização”, disse o professor.

Ao falar sobre o videoclipe, Rodney Nascimento fez um breve histórico da MTV e ressaltou a influência que a emissora teve para a geração dos anos 90 com programação de vídeos 24 horas por dia e participação em movimentos sociais como o “Red Hot & Blue”, em combate a AIDS. A partir disso, fez uma analogia com os jovens que hoje utilizam o Twitter como ferramenta social. “A geração videoclipe agora é a de 140 caracteres”, pontuou.



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