Palestrantes acreditam que a internet não deve acabar com o papel, mas transformá-lo
Tema de discussões recorrentes entre jornalista, a sobrevivência do jornalismo impresso perante a mídia digital também foi assunto de debates no penúltimo dia (19) de debates do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural. Otavio Frias Filho, diretor de redação do Jornal Folha de S.Paulo, e Esther Hamburguer, professora, ensaísta e crítica literária, debateram sobre a temática. Ambos dividem a opinião de que a internet não veio para destruir o papel, mas concordam que o jornal impresso deverá se readaptar para uma nova realidade.
Pós-doutora na Universidade do Texas, Esther Hamburguer não acredita que os dias do jornal em papel estão contados. “A minha sensação é que o jornalismo impresso não está ameaçado. Talvez esteja desafiado a aprofundar a sua vocação e trazer crítica e informação bem apurada”, afirmou. A teórica aponta que o tempo de mudança de paradigmas em que vivemos gera grandes desafios para a profissão e, portanto, cabe aos jornalistas repensarem a maneira de exercer a sua função. De acordo com ela, “é preciso pensar em novas perguntas, para quem elas podem ser feitas e que tipos de crítica elas podem gerar”.
No entanto, enquanto jornais do mundo estão em crise, a professora destaca o crescimento do público leitor no Brasil que ocorre, segundo ela, desde 1994. No entanto, Esther Hamburguer acredita que “a imprensa e o jornalismo cultural não conseguem mudar duas pautas. Há um público emergente, mas pequena perspectiva de crescimento intelectual”.
Jornalista, escritor e ensaísta, Otavio Frias Filho concordou com muitas das opiniões de sua companheira de mesa. Frias também acrescentou que o surgimento da mídia digital não significa a morte do jornalismo. “Um jornal é uma síntese de tudo que aconteceu nas últimas 24 horas que possa ser entendida por qualquer adulto alfabetizado. A questão do suporte é pouco relevante, secundária. Nosso papel não é vender só papel pintado, mas sim informação”, constatou.
De certa forma, o jornalista inclusive comemora alguns aspectos da internet como o corte de gasto, já que, segundo ele, 40% do custo de produção de jornais é relativo transporte de papel, tinta e outros elementos físicos. Além disso, “não há dúvida que a internet oferece uma multiplicidade imensa para possibilidades de jornalismo. Qualquer jornalista não pode deixar de se sentir entusiasmado perante este cenário”, afirmou. Portanto, Frias não acredita no fim de um tipo de mídia por causa da outra. “O que me parece mais provável para as próximas décadas é a convivência entra as formas de jornalismo, o que contribui para a biodiversidade mental da população e o do debate político”, argumentou.
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