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30/05/2011 - 16h57 - Atualizado em 21/05/2012 - 14h47

O exercício da crítica de obras artísticas é discutido por jornalistas em uma das mesas do Congresso de Jornalismo Cultural

Tiago Mota

Para os palestrantes, a cobertura de eventos de arte muitas vezes reflete o interesse do artista por divulgação ou prestígio

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Divulgação

A mesa teve a artista Angélica de Moraes, a mediadora
Juliana Monachesi, o pintor Ivald Granato e o jornalista
Silas Martí para a discussão sobre crítica de arte

O artista Ivald Granato e os jornalistas Silas Martí e Angélica de Moraes discutiram a relação entre as artes visuais e a crítica especializada no 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, no dia 18 de Maio. O assunto gerou grande discussão e duras críticas à cobertura da imprensa dos eventos relacionados às artes visuais. A discussão fez parte do segundo dia de debates do congresso.

O primeiro a falar foi Ivald Granato. Considerado um artista multimídia e ganhador de vários prêmios, entre eles o de “Melhor Desenhista do Ano” pela Associação de Críticos de Arte, ele chamou atenção ao falar sobre o que ele classifica como “marasmo da imprensa”. “Os repórteres insistem nos mesmos artistas ou coisas que vão existir no futuro e eu já não agüento mais. Toda semana são os mesmos artistas. Essas coisas ridículas me fazem pensar se o mundo é ignorante ou se esses jornalistas são completamente analfabetos”, criticou. Após as fortes opiniões, o artista também insinuou que os jornalistas estariam sendo pagos para privilegiar algumas galerias e curadores.

Silas Martí, repórter e crítico de artes visuais, design e arquitetura na Folha de S. Paulo, respondeu às alegações de Granato. “Eu não recebo nada pela galeria e o meu salário não é tão exorbitante quanto os preços das obras”, replicou rindo. No entanto, o jornalista concorda que há uma crítica enfraquecida e pouco espaço nos jornais para o gênero artístico. “A função do crítico se tornou um pouco ‘acuada’, pois discutir um novo artista é algo que os próprios editores já torcem o nariz. Mesmo que muitos artistas reclamem que não existe crítica, quando ela surge também existe uma retaliação”, disse.

Angelica de Moraes fez parte da equipe fundadora do Caderno 2 do O Estado de S. Paulo, além de ter sido crítica da revista Veja. Hoje, Moraes está envolvida na criação da revista de artes Select, que será lançada em agosto. Sua fala focou nos deveres e cuidados do jornalismo cultural, especificando para a cobertura de artes visuais. “No meu entender, a única crítica de arte válida é a que debate com o artista de igual para igual. Sempre tive minha fonte de informação e formação no bate-papo com os artistas”, contou.

Para ela, o jornalista deve estar atento ao “prazo de validade” de seus assuntos, ser independente e não se tornar um “recórter”, ou seja, copiar e publicar releases de assessorias de imprensa. No entanto, não economizou críticas à Camille Paglia, ensaísta americana também palestrante do Congresso. Angélica vai de encontro aos ensaios de Paglia que afirmam que “hoje não há mais nenhum artista importante no mundo”. Para expressar a sua opinião, a jornalista não economiza nas palavras. “A arte não mimetiza o real. Ele é uma representação arbitrária do que o artista entende como realidade. Falta à senhora fazer a lição de casa, dona Camille. Em artes visuais, ela escreve abobrinha”, provocou.


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