A colaboração dos internautas e a criação publicitária foram alguns dos temas abordados pelos pesquisadores
A atividade jornalística sob diferentes formas e formatos. Este foi o tema principal dos cinco trabalhos que compuseram a mesa “Estudos sobre o Jornalismo” do 9º Fórum de Pesquisa Cásper Líbero, que teve como debatedor o coordenador do curso de Jornalismo, Igor Fuser.
Iniciando as apresentações, Daniela Ferreira mostrou em “Webjornalismo participativo: a importância do incentivo à participação do usuário” que cidadãos comuns podem produzir suas próprias notícias e publicá-las em portais, como Terra e iG. Questionada por um membro da plateia se a colaboração de internautas com notícias “prostitui” a profissão de jornalista, a pesquisadora respondeu: “São notícias mais direcionadas a uma comunidade, não são de relevância nacional. Essa pessoa não tem acesso a fontes que estão na mídia convencional, dificilmente tomará o lugar do jornalista”.
Uma revisão do livro Edição e Design foi o ponto central de “Nas grades e colunas: um estudo sobre a validade das regras básicas de Jan White com base no design do projeto INFO em 9/10”. A pesquisa de Danilo Braga identificou em todas as 67 revistas examinadas menos de três normas do livro que se tornou referência nos cursos de design. Segundo o pesquisador, o problema está no fato de a obra não ter acompanhado a evolução de softwares de diagramação digital. “Somos muito anacrônicos em relação a Jan White. Novas técnicas pedem novos conceitos”, disse Braga.
Ainda no campo do design, porém enfocando a publicidade, Augusto Bellisoni abordou os limites da criatividade em “Hey garoto, não rabisque fora da folha. A liberdade criativa na mídia impressa”. De acordo com o pesquisador, o potencial de criação de um publicitário esbarra nos formatos universais das mídias de divulgação de um produto, como os tamanhos padronizados da folha de papel. “Muitas vezes, em virtude das formas hereditárias, deixamos de abordar o cliente de uma forma inovadora”, argumentou Bellisoni, que sugere um papel funcional em relação às mídias de divulgação.
“Esse trabalho tem a ver com a minha vida”, disse Eric Castelhero no início da apresentação de seu estudo “A Gazeta Esportiva: um marco no jornalismo brasileiro”. Castelhero, que trabalhou no jornal A Gazeta Esportiva de 1983 a 2000 e atualmente é editor-executivo do portal GazetaEsportiva.Net, explorou justamente a transição do periódico da versão impressa para a digital. O pesquisador ressaltou o sucesso do jornal contando que, mesmo dez anos após o término da edição em papel, o portal recebe e-mails de leitores interessados em assinar A Gazeta Esportiva.
Por fim, Mara Ferreira Rovida buscou conceitos da sociologia para a pesquisa “A segmentação no jornalismo sob a ótica durkheimiana da divisão de trabalho social”. Partindo da ideia da divisão da produção como característica das sociedades capitalistas, do sociólogo Émile Durkheim (1858 – 1917), o estudo analisa a produção jornalística voltada para essas divisões. “São produtos voltados para um determinado setor e um público específico. Os interesses em comum desse público norteiam esse tipo de jornalismo”, explicou Rovida.
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