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27/05/2011 - 19h00 - Atualizado em 22/05/2012 - 15h32

“Os estudantes do quarto ano já são praticamente profissionais”, diz João Batista Natali

Louise Solla

Em entrevista, o novo professor de Ética Jornalística conta um pouco sobre sua experiência profissional e suas expectativas em relação às aulas

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Yuri Gonzaga
João Batista Natali foi correspondente
estrangeiro da Folha de S.Paulo

Graças a um convite do coordenador do curso de jornalismo Igor Fuser, João Batista Natali assumiu as aulas de Ética Jornalística das turmas da noite do quarto ano. A mudança se tornou necessária após o professor Caio Túlio Costa receber um convite para dar aula no curso de pós-graduação da faculdade.

Formado em jornalismo pela ECA-USP e em filosofia pela faculdade Paris-VIII, Natali realizou grande parte de seus estudos na França, onde também concluiu cursos de mestrado e doutorado. Segundo o professor, a escolha de estudar no exterior refletiu uma falta de ofertas de cursos no país em semiologia, sua principal área de estudo. “O Brasil, no final dos anos 60 e início dos anos 70, não havia completado ainda o ciclo de pós-graduação nas áreas de ciências humanas. Alguns mestrados e, por maior razão, alguns dos doutorados estavam disponíveis apenas no exterior”, conta Natali.

Ele também trabalhou durante oito anos em Paris, como correspondente internacional da Folha de S.Paulo, periódico do qual também foi editor do caderno Mundo durante dois anos. “Eu já havia trabalhado por dois anos como repórter da Folha. O jornal, em razão da imagem profissionalmente positiva que tinha de mim, propôs que eu me transformasse num ‘freela’ fixo. Mas o volume de trabalho era tão grande que fui registrado em carteira para atuar como correspondente ‘senior’. Foi basicamente esse o meu estatuto durante os oito anos de vínculos com o jornal enquanto morei no exterior”, esclarece João Batista Natali.

Após a sua grande experiência no exterior, Natali foi convidado para dar aulas sobre jornalismo internacional na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Esse período foi importante para que ele pudesse escrever o livro que aborda um pouco dos conhecimentos que absorveu nesse período: a obra “Jornalismo Internacional”, publicado pela Editora Contexto.

Mesmo que o jornalista tenha essa vivência para ser compartilhada, as aulas não terão esse foco, pois João Batista Natali promete um curso mais aprofundado e complexo. “O que eu tenho a dar é história, teoria como lingüística e semiológica que os faça pensar em um plano de modelos abstratos mais sofisticados”, explica o professor.

Por causa dessa proposta de ensino que o coordenador do curso de jornalismo, Igor Fuser, decidiu chamar Natali para substituir o professor Caio Túlio Costa nas aulas do período noturno. “Ele é um grande jornalista, com muitos anos de experiência. Além disso, possui uma compreensão teórica muito profunda da comunicação e do jornalismo”, declarou Fuser sobre o novo professor da faculdade.

Atualmente, além de suas aulas no curso de jornalismo, Natali continua sendo colaborador do jornal Folha de S.Paulo, com reportagens sobre política internacional e música erudita, áreas das quais possui conhecimento aprofundado. “Não sou musicólogo, mas sei quais são as fontes para fazer uma boa reportagem sobre uma récita de câmara, uma montagem de ópera e música sinfônica”, detalha.

João Batista Natali confessa que está bastante positivo em relação ao seu curso na faculdade. “(Minhas expectativas) são muito boas. Os estudantes do quarto ano já são praticamente profissionais. Eu atribuo a eles, mesmo abstratamente, uma maturidade bastante grande”, afirma o professor. Ele ainda complementa que gosta de dar aulas, não para transmitir aquilo que já tem em termos de conhecimento, “mas como forma de organizar os próprios conhecimentos como docente”.



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