Com a participação de dois críticos e um músico, a mesa tratou assuntos polêmicos ao mesmo tempo em que tirou risos da platéia
Com início às 11h30 de quinta-feira, 19/05, a mesa “A produção musical contemporânea e a crítica especializada” contou com a presença dos críticos Pablo Miyazawa, diretor de redação da revista Rolling Stone Brasil e Alexandre Matias, editor do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo e do músico Zeca Baleiro. Além dos três debatedores, o jornalista Marcus Preto foi encarregado da mediação.
Condizentes ao tema proposto para a mesa, os participantes discutiram a relação da crítica com a música. Zeca Baleiro questionou os críticos sobre alguns pontos que acredita serem ‘filosoficamente insolúveis’: “Eu me pergunto o que passa na cabeça do critico, quais critérios ele usa e concluo que não há como escapar de uma eleição pessoal, como o ‘eu gosto’ ou ‘eu não gosto’”. O primeiro a responder foi Alexandre Matias que concordou com o músico, “A critica não foge do filtro pessoal como um dos critérios do profissional, mas deve tentar analisar o artista não só em sua música, mas em seu comportamento. O crítico precisa viver a música com intensidade para se considerar especializado”. Miyazawa também respondeu, ressaltando a necessidade de se ponderar o modo de escrever o texto para não ferir o artista. “Corre-se o risco de nem sempre agradar, mas isso é parte do trabalho, o que não se pode é ser injusto”, comentou. Zeca Baleiro completou as respostas dizendo que acha importante que o profissional conheça as bandas de referência de um músico ao julgar seu trabalho.
Matias apontou para o fato de a crítica ser inerente à arte e o produtor, por sua vez, estar sempre sujeito a avaliação. “O artista como agente cultural é vendedor de sua arte, por isso está na berlinda. Ele é uma pessoa pública e ao se assumir assim aceita que o avaliem como tal.” No entanto, Zeca Baleiro ou para um dos perigos da profissão: “O crítico ter o poder de criar e legitimar um artista ou uma cena musical e alguns não entendem o que essa responsabilidade acarreta”. Além disso, as opiniões da crítica repercutem mais em lugares afastados, que têm menos acesso às informações alternativas, “há uma aura de legitimidade maior quanto mais longe dos grandes centros. Como se a crítica fosse uma verdade absoluta”, completou o músico.
A internet vem mudando a relação entre público, mídia e músicos no Brasil, segundo Miyasawa. “Com as redes sociais o papel do jornalismo não diminui, a voz do público é que aumenta. Além disso, a internet ajuda no consumo de musica nacional, dando mais acesso a uma produção que sempre foi numerosa”. No caso do músico, a rede aproxima artista e fã. “Ela muda o caráter mítico que se tinha do artista”, comentou Miyasawa. Mas também tem seu lado negativo apontado por Zeca Baleiro: “Com as redes sociais a curiosidade sobre a vida pessoal do músico aumenta. Além disso, ter o poder de comunicar seu cotidiano é sedutor e perigoso”.
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