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21/05/2011 - 20h00 - Atualizado em 23/05/2012 - 10h53

O panorama atual da crítica literária foi tema de debate no 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural

Jaqueline Gutierres

O papo entre jornalista, escritor e professor, discutiu a situação da crítica na área de literatura na mídia atual

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"Qual o papel da crítica literária hoje: seus equívocos e seus acertos” teve início às 11h30 de quarta-feira, 18 de maio, no Sesc Vila Mariana. O debate fez parte do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural realizado pela revista Cult e contou com a participação dos jornalistas Daniel Piza e Alcir Pécora, além do escritor Rubens Figueiredo como palestrantes. O romancista Frederico Barbosa fez aprte da mesa como mediador.

Pécora afirmou que a crítica literária é quase inexistente e relembrou o tempo em que os jornais eram locais de experimentação de textos. “Hoje os bons críticos não estão nas redações. A universidade terceiriza a crítica e cria uma tendência à especialização e ao uso de jargões acadêmicos”, explicou. Além disso, acaba sendo feita e consumida na academia, o que não é o papel da crítica, já que “sua função é universalista”.

Figueiredo afirmou que a crítica deveria ser a construção do conhecimento, explicando o processo de criação de algo social, como a literatura. “Isso não acontece na prática porque falta aos críticos conhecer as relações sociais que circundam a vida”, indicou. Pécora explicou que há duas possibilidades para o exercício da crítica: o profissional ser um ordenador do consumo das obras, “dando sua opinião sobre o que está sendo produzido na base do  ‘gosto’ ou não ‘gosto’”, ou ser um estudioso da estrutura da obra, “como alguém que entenda a ética do objeto e se submeta a ela”. Atualmente, apenas a primeira opção tem sido praticada e isso, para Pécora, expõe “o desprezo pelo passado". "Não se percebe que é o legado da cultura que exige a qualidade do que é produzido hoje”, ressalta.

O jornalista continuou dizendo que é preciso entender que a cultura não é monopólio do jornal ou da universidade: ela existe em outras instituições e pode ser modificada nelas. “A situação do Brasil hoje é grave. O circuito cultural não é animador, tudo se produz artificialmente e, no caso da literatura, ela não tem autonomia frente às exigências do mercado”, enfatizou. Daniel Piza concordou com a fala de Pécora e se disse decepcionado com a internet. “A rede poderia ter maior capacidade questionadora sobre o que é dominante, ser uma alternativa com qualidade, mas não tem mostrado isso”, opinou.

Piza também dialogou com Pécora quanto à relação entre crítica e universidade, dizendo que seria interessante coexistirem os dois tipos de texto. “Poderia haver um aprofundamento da crítica a partir de discussões entre o que é produzido no jornal e o que é feito nas universidades.” Segundo o jornalista, os responsáveis pela crítica precisam fazer uma reflexão sobre seu papel hoje e oferecer alternativas à invasão das notícias sobre celebridades que se vê atualmente. Figueiredo completou dizendo que não há espaço para a imprensa alternativa, mas que a internet pode ser uma aliada. “A rede é uma grande opção à grande mídia."



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