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21/05/2011 - 20h03 - Atualizado em 22/05/2012 - 22h24

Debate sobre novas e velhas mídias marcou palestra com Roger Chartier no último dia do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural

Jaqueline Gutierres

Na primeira mesa do dia, historiador francês explica que com as novas mídias é necessário reaprender a ler

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Jaqueline Gutierres
Para Chartier, "é papel da imprensa e da escola 
ensinar a ler em frente à tela" do computador

A palestra “O jornal e o livro na era digital” teve início às 9h30 de sexta-feira, 20/05, no 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural. A mesa foi uma longa conversa sobre novas e velhas mídias com o historiador francês Roger Chartier, mediada pela gerente de Estudos e Desenvolvimento do Sesc-SP, Marta Raquel Colabone.

Chartier começou sua fala contando que escreve para jornais e ressaltou que é positivo ter alguns profissionais de outras áreas nas redações, principalmente historiadores. “Como acadêmicos, temos um tempo de escrita diferente dos jornalistas. Além disso, podemos trazer ao presente fatos e obras do passado que os leitores não têm conhecimento e que podem contar informações importantes para a vida atual sobre a tradição.“

O historiador defendeu a importância das resenhas e do caderno de cultura de um modo geral. “Esse conteúdo é um tipo de leitura diferente do restante do periódico. É como momento de parada no fluxo de informação.” Porém, a situação atual não é animadora: há a diminuição no espaço para esses textos. “Isso reflete diretamente no conteúdo do que é publicado, dando pouca chance de iniciativas pequenas e impedindo artigos mais específicos de estarem presentes.”

Livros e ebooks

Chartier começou a tratar do tema da mesa explicando a diferença entre o significado da palavra livro e o que entendemos por ela hoje. “Livro e o texto contido nele não são as mesmas coisas, mesmo estando intimamente relacionados. O livro é o suporte que implica limitações, o texto é o que pode ser mudado de plataforma.” Por isso, para o historiador, falar em ebook é uma contradição. “Ler textos digitais é totalmente diferente. Formam-se novos leitores com as novas mídias e é papel da imprensa e da escola ensinar a ler frente à tela”, argumentou.

Com as novas mídias, essa mobilidade do texto se faz mais clara, tanto para quem lê quanto para quem escreve. “O texto eletrônico transforma a maneira de o escritor organizar argumentos e de o leitor recebe-los. Isso porque é uma articulação aberta, que pode ser escrita e rescrita; e relacional, por meio dos links hipertextuais.” Além disso, o leitor passa a ter acesso a muitas informações que o escritor teve para formar seu texto. “A internet dá a possibilidade de o usuário pesquisar e conferir a veracidade do que lê.”

A internet também dá a oportunidade de escritores publicarem textos que nem seriam divulgados, mas que ficariam restritos às universidades, por exemplo. ”Algumas faculdades não têm mais revistas de artigos, a internet possibilita a publicação digital desses trabalhos.” Nesse raciocínio, Chartier explicou que com as novas mídias, o leitor não é mais obrigado a ir em busca do livro, ele está mais acessível quando requisitado, mas não só “hoje o texto vem até o leitor, mesmo que ele nem saiba que o quer”.



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