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20/05/2011 - 23h57 - Atualizado em 16/05/2012 - 23h54

Discussão sobre teatro e crítica especializada dá início ao terceiro do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural

Jaqueline Gutierres

Diretores e crítico debatem a atual situação do teatro e da abordagem da mídia brasileira

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“A produção teatral contemporânea e a crítica especializada” foi o nome dado à primeira mesa de debates do terceiro dia do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural promovido pela revista Cult em parceria com o Sesc SP. Com início às 9h30 do dia 19 de maio, contou com a participação dos diretores de teatro Felipe Hirsch e Marco Antonio Rodrigues, além do crítico Jefferson Del Rios, como palestrantes. A mediação foi feita pelo ator Oswaldo Mendes. 

Diferente dos outros mediadores no evento, Mendes fez uma longa primeira colocação antes de dar voz aos palestrantes. Alertou para o fato de atualmente as universidades debaterem sobre teatro antes mesmo de verem as produções, além disso, o jornalismo reproduz as idéias vindas da academia, tendo-as como pressupostos às suas críticas. “Pensa-se o teatro antes de fazê-lo. Isso é um problema, a reflexão não pode se antepor à ação”, ressaltou.

A importância de valorizar os fenômenos artísticos foi a prioridade na fala de Marco Antonio Rodrigues. “A arte existe como um deslocamento de uma situação real e o fato cultural faz a sociedade moralmente avançar. E para colocar esses deslocamentos em contato com a sociedade é que existe o jornalismo cultural”, opinou. Para o diretor de teatro, é essencial que se trabalhe cultura quase como uma transgressão do status quo e não apenas como a junção de usos, costumes e tradições. “Resumir a essa definição acaba barateando o pensamento e causando uma erosão artística”, indica. Ainda sobre a importância da arte, Felipe Hirsch afirmou que ela não existe apenas para entretenimento: há algo a mais que se pretende mostrar. “A arte não precisa se desvincular radicalmente do entretenimento, eles podem conviver.”

A crítica, portanto, tem um papel importante de influenciar o modo de a sociedade ver a produção artística e, por isso, deve-se ter cautela ao escrever. “O crítico tem a responsabilidade de saber o que o artista fez, como fez e entendê-lo em sua complexidade. Deve ver a arte de forma apaixonada e não com o olhar raso que se tem atualmente”, enfatizou Hirsch. Segundo o diretor de teatro, não há o reconhecimento do trabalho árduo do artista. “Há o barateamento da relação entre imprensa que cobre arte e o produtor desta arte. Pede-se a explicação de algo que, por ser arte, nem sempre tem explicação.”

O crítico de teatro Jefferson Del Rios falou sobre os momentos de sucesso da crítica brasileira, com a criação da Universidade de São Paulo (USP). Foi nessa época que surgiram pessoas dispostas a refletir sobre cultura. “O que acontecia era o exercício intelectual com interlocução com a produção artística”, recorda. Mas desde então, mudou-se o contexto nacional e “o jornal, que é um empreendimento capitalista, não cede o espaço que poderia ser vendido para publicidade por boa vontade.”Isso faz com que o crítico tenha menos liberdade de aumentar o tamanho do texto e de escolher temas que são incertos quanto ao interesse do leitor. No caso do teatro, segundo Del Rios, os textos publicados pelos críticos nos periódicos têm interlocução com cerca de 6 mil pessoas, o que é um bom feito para a produção teatral.

Preocupados com a atual situação do teatro no Brasil, Hirsch e Del Rios se mostraram nostálgicos. O diretor ressaltou a importância dos espetáculos voltarem a se sustentar pela bilheteria. “A verba do governo deveria ser dada para levantar um espetáculo e não depois que já está pronto. Nessa etapa, as peças deveriam depender de seus ingressos para que o fator bilheteria volte a ter valor e o teatro continue a viver no país”, declarou Hirsch. Incomodado com as tecnologias invadindo o ambiente das montagens, Del Rios confessou ter um sonho: “Eu gostaria que as pessoas parassem de usar os celulares no início e no fim da peça e que não se preocupassem em fotografar a cena, mas em vê-la e viver aquele momento. Eu queria que o teatro voltasse a ser o lugar onde a pessoa se redescobre de dentro para fora e se rehumaniza.”



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