Em “Não Se Pode Viver Sem Amor”, a imaginação tenta extrair o espectador da realidade
Partir, não importa para onde. É isso o que anseiam as personagens principais do filme Não Se Pode Viver Sem Amor, de Jorge Durán. A incessante busca por algo ou alguém que possa suprir a carência, traz dinâmica à narrativa composta por três núcleos conflituais. Na trama estão o professor Pedro, interpretado por Ângelo Antônio; Fabíula Nascimento, que faz o papel da dançarina de boate Gilda; o advogado desempregado João, vivido por Cauã Reymond; Simone Spoladore, premiada pelo papel de Roseli no Festival de Gramado de 2010, e Victor Navega Motta que encarna o menino Gabriel e interliga o destino de todos.
No meio do caos de uma cidade grande são retratadas histórias de pessoas que almejam dar um sentido novo para a vida. Roseli e Gabriel, vindos do interior do Rio de Janeiro, viajam para a capital à procura do pai do garoto. Desse desencontro, surgem novos laços e descobertas. Primeiro, conhecem Pedro que, mesmo conturbado por uma perda recente e dúvidas provocadas pela necessidade de mudança de país, os ajuda nessa busca. Depois, deparam-se com João e Gilda, pessoas que ao invés de exteriorizar os problemas preferem ir embora da cidade, mesmo que o preço para isso exija medidas drásticas e soluções desesperadas.
No título, reforça-se a ideia intrínseca ao filme: fundamental é mesmo o amor. É ele o grande protagonista, a motivação de vidas que se encontram em situações limite. No entanto, ao longo dos acontecimentos, outras ideias são jogadas ao espectador e permanecem como coadjuvantes, atrapalhando o ritmo narrativo por não serem devidamente desenvolvidas.
O diretor escolhe justamente a véspera de Natal para ambientar a história. Época em que sentimentos bons afloram e a fantasia é permitida. Fantasia esta que, no longa, adquire o sentido de distanciamento da realidade. Esse realismo mágico ocorre tanto em cenas nas quais a imaginação criativa de Gabriel é estimulada, como quando a realidade do mundo exterior parece se tornar irreversível. No final, temos um filme nonsense que não se interessa em dar sentido lógico para todas as cenas, podendo causar estranheza no público.
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