Evento convida o público a descobrir a riqueza da cultura nordestina
Até o dia 10 de julho, o Instituto Brincante, na Vila Madalena, abre suas portas ao público oferecendo shows, palestras, oficinas e debates. O tema é a cultura pernambucana, especialidade da casa fundada em 1992 pelos artistas Antonio Nóbrega e Rosane Almeida. Eles procuravam realizar uma releitura sobre as manifestações artísticas brasileiras, oferecendo, inclusive, cursos gratuitos para professores da rede pública e jovens de baixa renda.
O 1º Festival de Brincantes é uma reunião de atividades tanto lúdicas quanto tradicionais, que traz oficinas e shows de expressões culturais como o Cavalo Marinho, o Maracatu Rural e o Frevo. Ao trazer mestres nessas artes diretamente da região onde nasceram, o instituto promove uma nova forma de expressão e convida os paulistanos a aprenderem e entenderem parte da cultura nordestina.
O primeiro ciclo do Festival aconteceu em abril, e trouxe a arte do Cavalo Marinho com seus principais representantes: o integrante da casa da rabeca de Recife, Pedro Salú; Helder Vasconcellos, músico premiado pelo programa Rumos Itaú Cultural, e o mestre da dança, Aguinaldo Silva.
Como os próprios artistas falam, trata-se de uma brincadeira que reúne música, dança e teatro. Luiz Alves Ferreira - pernambucano de 62 anos e rabequeiro há pelo menos 50 - comenta a experiência de ver algumas pessoas tentando aprender pela primeira vez o ritmo: “É bonito como mesmo as pessoas que não entendem a dança criam outra dança em cima do Cavalo Marinho”. Luiz, assim como a arte que representa, nasceu na Zona da Mata, em meio aos engenhos de cana. É de trabalhadores como ele que surge o ritmo acelerado e descontraído, cheio de humor e espontaneidade.
O encerramento do primeiro ciclo aconteceu em 10 de abril. Durante a oficina, pessoas de todas as idades dançaram, aprenderam os passos tradicionais, cantaram e fizeram parte do teatro colorido e musical que seguiu a aula: a Sambada. O clima do espetáculo convidou todos os espectadores a fazerem também parte da encenação, criando um ambiente de troca de experiências.
Mestre Aguinaldo ressalta que aprende muito, ao levar sua arte para lugares onde ela é pouco conhecida: “O Cavalo Marinho faz parte da minha vida e da minha história. Está no meu sangue e no meu corpo”. Ele é “brincador” de Cavalo Marinho desde quando pode se lembrar. Quando indagado sobre a origem desse nome tão diferente e mítico para uma dança, ele diz serem muitas as histórias que sobre ela se contam. “Se 20 pessoas te explicarem e cada uma falar uma coisa diferente, todas estão falando a verdade”, assume.
Aprender dançando. O Festival de Brincantes faz jus ao seu nome, e continuará trazendo arte, tradição, beleza e diversão ao público paulista. As vagas para o ciclo de Maracatu Rural que acontece neste mês já estão encerradas. Porém, ainda é possível adquirir ingressos grátis para as apresentações de Maracatu, em 14 e 15 de maio. Para mais informações, consulte o site do Instituto.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.