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14/04/2011 - 18h35 - Atualizado em 21/05/2012 - 14h26

O Grande Grito pela cultura brasileira

Por Mariana Rizzatto, aluna do 2º ano de Jornalismo

Último fim de semana para assistir a espetáculo que homenageia Mário de Andrade no CCSP

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João Caldas
Mário de Andrade, Exu e Macunaíma ficam presos
numa biblioteca em peça de Gabriela Rabelo

Para muitos, falar sobre Mário de Andrade é falar sobre Macunaíma. Porém, na peça O Grande Grito - em cartaz na sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo - a autora Gabriela Rabelo decidiu lembrar o Mário que também foi diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. O comovente enredo faz o público repensar sobre a história do nosso país e o que é feito com ela.

Os personagens do espetáculo, Mário de Andrade, Macunaíma e o orixá Exu, estão reunidos em uma biblioteca, onde foram largados os objetos do escritor referentes a sua Missão de Pesquisas Folclóricas pelo Norte e Nordeste do Brasil, realizada em 1938.

Mário havia prometido que a escultura de Exu ficaria em um lugar de honra e, como não cumpre, o orixá aprisiona o espírito dele dentro da biblioteca, e só irá libertá-lo quando for transferido para um lugar que merece. Macunaíma, por ser criação do modernista, tem de ficar junto ao escritor enquanto ele não conseguir achar o seu rumo.

Gabriela conta que sua intenção não era “só falar daquilo que não se conhece do Mário, mas daquilo que não conhecemos de nós mesmos”. Prova disso é o fato dele ter largado, por anos, o resultado de uma riquíssima pesquisa folclórica numa biblioteca na Lapa.

O ator Níveo Diegues, que interpreta Mário de Andrade, consegue passar para o público toda a angústia sentida pelo escritor ao ver seu trabalho jogado e esquecido. O que poucos sabem é que ele se dedicou inteiramente ao emprego público, até ser tirado do cargo, em 1938, devido aos desdobramentos do Estado Novo de Getúlio Vargas. “Mário largou a vida dele e foi fazer esse trabalho. Ele vivia 35 horas por dia o Departamento de Cultura”, lembra Gabriela.

A reação do público a essa angústia vivida pelo modernista é destacada por Theodora Ribeiro, atriz e produtora da peça: “O maior retorno é saber que as pessoas saem do teatro querendo saber sobre aquele homem incrível”.  Ela se emociona ao se lembrar de uma jovem que assistiu à peça e questionou como um homem, que fez tanto, morreu tão angustiado. 

A peça fica em cartaz no CCSP até este domingo (17). O espetáculo será apresentado hoje às 21h; amanhã às 19h e no domingo, às 20h. Após o término da temporada na capital paulista, o elenco segue para Itú, Araraquara, Araras e São Roque.



Comentários Comentários Postados
Gabriela Rabelo[24/04/2011 - 19:27]

Que bom ver a notícia sobre nosso espetáculo carregada de entusiasmo e otimismo. Gostaria, no entanto, de fazer alguns reparos. Às vezes, na correria em que nossa vida vai, algumas imprecisões são cometidas. Mário de Andrade ficou no Depto de Cultura de 1935 a 38. A Missão de Pesquisas Folclóricas foi realizada em 1938. Saiu com Mário Diretor e voltou com ele demitido. No mais, obrigada à Casper Líbero pelo estímulo e por somar forças no doce trabalho de educar a juventude. Parabéns à aluna que realizou o trabalho.

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