A peça "Música para Cortar os Pulsos" busca a identificação com o público jovem adulto explorando duas partes da essência da vida: o amor e a música
“Achei que só eu gostasse dessa música!”. “Eu também já me senti assim...”. “Você nem imagina o quanto eu sofri por ele, e por ela.” Talvez sejam frases desse tipo as mais recorrentes em uma amizade e, provavelmente são frases como esta que marcam o sucesso do mais recente trabalho de Rafael Gomes, Música para Cortar os Pulsos.
Quando as luzes se apagam, três rostos jovens iluminam-se no palco: Isabela (Mayara Constantino), Felipe (Kauê Telloli) e Ricardo (Victor Mendes) prontos para uma desabafo desconcertante e sincero. Cena 1: Nomes; a investigação sentimental deve durar uma hora ou mais, mas reverbera muito mais tempo nos espectadores.
Dez cenas se espalham pelos 70 minutos do espetáculo, e os monólogos dos personagens falam também pela plateia. Afinal, já dizia Ataulfo Alves: “Atire a primeira pedra, Iaiá, aquele que não sofreu por amor”. Por amor, desamor, paixão ou vazio. Este último, tão bem caracterizado por Felipe: “o nome disso é desalento”.
Desse sofrimento comum nasce uma conexão com o público, que também já embalou sua dor ao som de Caetano Veloso, The Smiths, Tó Brandileone, Frank Sinatra e Roberto Carlos, e por isso sorri entre lágrimas ao reconhecer trechos de suas canções prediletas.
“A vontade de escrever a peça nasceu dessa ideia de que a música ensina a gente”, conta Rafael Gomes, responsável pelo texto e direção do espetáculo. “A música traduz o que a gente sente, principalmente quando se trata de amor”.
A peça não nasceu apenas dessa vontade de falar de amor e música, mas também de uma carência de produção para o público jovem adulto percebida pelo diretor. Nos trabalhos anteriores, como o vídeo Tapa na Pantera e a série Tudo que é sólido pode derreter, Rafael Gomes viu-se encantado pelo desafio de falar com esse público, que não se reconhece na imensa maioria das produções culturais.
Buscando o reconhecimento de novas plateias, a peça sai da capital e descobre o interior pelo projeto Viagem Teatral Sesi 2011. A experiência de percorrer 15 cidades em quatro meses tem instigado a equipe. “Toda essa diversidade e essa troca acabam resultando num crescimento muito favorável para a peça”, aponta Mayara Constantino. A atriz, que faz sua estreia nos palcos, tem aprendido muito e diz ainda sentir dificuldade para encontrar o equilíbrio entre ela mesma e a personagem: “Eu já estive na situação da Isabela e, em dias em que estou mais fragilizada, é difícil não me emocionar”.
A emoção que toca os atores cativa a plateia, fato possível de ser constatado no mundo virtual. Ao final de cada sessão, o Twitter do coletivo é citado por novos fãs, que também não deixam de visitar o blog do grupo.
Ao descrever essa relação entre a peça e a internet, Rafael Gomes resume: “o blog acabou se tornando uma forma de as pessoas manterem vivo tudo aquilo que viram e sentiram durante o espetáculo”. Afinal, ninguém quer perder contato com esse novo amigo, que entende de sentimento como poucos.
Comentários Postados
Lindo o teatro, eles passaram por birigui, int/sp Achei que eram outros atores que participassem, mas mesmo assim... adorei. PArabéns mayara constantino. Gostei de ve-la
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