Toshio Yamasaki e Michaella Pivetti lecionam Computação e Planejamento Gráfico em Jornalismo. Para eles, a linguagem textual não anda descolada da visual.
Entender o jornalismo como conjunto, muito além do texto. Esse é o objetivo das aulas de Computação e Planejamento Gráfico em Jornalismo, lecionados pela dupla de professores Toshio Yamasaki e Michaella Pivetti. A parceria é recente. Michaella passou a fazer parte do corpo docente da Faculdade Cásper Líbero no início de 2011. “Eu ainda estou descobrindo os desafios daqui”, afirma ela, sorridente. Já o professor Toshio leciona na faculdade desde 1985, portanto velho conhecido dos alunos. As primeiras impressões deste encontro são boas. “A professora Michaella está agregando muito em conceitos. Estamos nos entendendo bem!”, diz Toshio.
Nascida na Itália e criada no Rio de Janeiro, Michaella trabalha com comunicação visual desde a década de 1990, época de mudanças no ramo. A informática já estava sendo implantada nas redações, com as primeiras imagens digitais e outras tecnologias. “O quadro que nós conhecemos hoje foi firmado naquele período”, conta a professora. Graduada em Comunicação Visual pela Faculdade da Cidade do Rio de Janeiro e mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP, Michaella participou da concepção e implantação de projetos gráficos na revista Placar, e nos jornais Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil, onde garante ter aprendido e adorado fazer jornalismo diário. Pivetti também foi diretora de arte na revista Caros Amigos no aniversário de dez anos do periódico. Hoje, além de lecionar, a italiana é consultora e autônoma, atuando em diferentes publicações.
Toshio começou como officeboy em uma empresa de fotoletras, antes mesmo da difusão dos computadores. Ali seu trabalho consistia em retocar is tipos de letras. “Eu ficava provocando o desenhista, dizendo que também conseguia produzir aquilo que ele fazia. Um belo dia, o desenhista passou uma fonte para que eu retocasse. Não ficou muito legal, mas acabei contratado como assistente”, conta o professor. Deste dia em diante, Yamasaki se dedicou ao trabalho gráfico em revistas. Dentre muitas, destacam-se as publicações de luxo em que atuou, como Vogue, Casa Vogue e Gourmet. Formado em Jornalismo e com especialização em Comunicação e Marketing, ambos pela Cásper Líbero, Toshio também trabalhou com fotografia publicitária. Na Cásper, já ocupou o posto de coordenador do curso de Publicidade e Propaganda, quando idealizou o programa de televisão Comercial e Cia. Feito para estudantes do curso. Hoje, seu programa segue com o nome de Reclame no canal de televisão fechada Multishow.
O trabalho de concepção e implantação de um projeto gráfico tem seus desafios. Michaella explica que “O sucesso não depende só de conhecer o seu leitor, mas de respeitar o próprio mundo do jornalismo. O projeto não deve criar problemas, mas sim dar instrumentos para que os jornalistas possam trabalhar bem”. No entanto, a chegada dos computadores nas redações facilitou o processo. “Antigamente, se você fosse colocar cor em um título ou box, custava mais. Se fosse colocar mais de duas fotos em uma página, tinha de pagar um excedente. Hoje, eu faço tudo no computador sem custo nenhum”, detalha Toshio.
Ambos concordam que para um futuro jornalista é essencial possuir bom entendimento da linguagem gráfica que compõe uma publicação. “Para o jornalista se formar de uma maneira mais completa, deve saber o mínimo dos signos com os quais irá trabalhar, garantindo assim uma chegada mais crítica e apurada.”, aponta Pivetti. Yamasaki relembra os tempos em que a redação tinha divisórias bem estabelecidas entre texto e arte. No entanto, para ele, “Aquela época acabou. Hoje, o jornalista tem que pensar a matéria como um todo, e a parte visual conta muito”.
Michaella não mostra preocupação em convencer os estudantes a seguir a carreira de designer. Para ela, “Se conseguir passar a eles essa visão do todo, tenho minha missão como cumprida. O aluno não precisa amar a matéria”. Toshio explica que não procura formar diretores de arte, embora a profissão esteja hoje em alta no mercado, mas reforça a importância deste conhecimento. “Às vezes encontro com ex-alunos que acabam me dizendo ‘Poxa, se eu soubesse que a aula era tão importante eu teria prestado muita mais atenção! ’”, conta o professor.
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