“Rio” mostra uma visão bonita, porém estereotipada do Brasil
É sempre curioso para os brasileiros ver os estadunidenses retratando o Brasil em seus filmes. Através da forma como é exposto, notamos quais são os estereótipos que os americanos enxergam do nosso país. Sempre teremos o Carnaval, mulheres, futebol, samba, entre outros símbolos. Na animação Rio, do brasileiro Carlos Saldanha (Trilogia A Era do Gelo), o mesmo acontece.
O filme conta a história de Blu, uma arara-azul que devido ao contrabando de aves, foi parar em uma pequena cidade de Minnesota, onde foi adotada por Linda. A ave cresceu domesticada e sem nunca aprender a voar. Até que descobrem que Blu é o último macho da espécie, e portanto precisa ir até o Rio de Janeiro acasalar com a fêmea, Jade.
O problema é que as aves ‘não se bicam’. A personalidade domesticada e mimada de Blu entra em contraste com o espírito selvagem de Jade, que só pensa em se livrar dos humanos e voltar para a floresta. Mas terão de conviver, pois são sequestrados por contrabandistas e quando conseguem escapar, estão algemados um ao outro, portanto precisam trabalhar em equipe para se voltarem aos seus respectivos lares.
Enquanto o roteiro do filme é bem amarrado, e as personagens muito carismáticas, algumas homenagens ao Brasil são exageradas: tomadas em volta do Cristo Redentor, trecho da canção Garota de Ipanema, além da afirmação de que brasileiro que é brasileiro, ama o samba e o carnaval, não soa com a naturalidade que deveria, repetindo as inadequadas bajulações que a Disney fez em filmes como Você Já Foi a Bahia? e Alô Amigos.
O ponto forte de Rio é a animação em si. Muito bonita e colorida, a cena de abertura, com centenas de aves diferentes da Mata Atlântica que dançam e voam na floresta, merece destaque especial. Os desenhos estão expressivos, sem a necessidade de antropomorfizar a sua aparência, recebendo auxílio do 3D discreto, porém sempre presente.
Se comparado com os demais da Blue Sky Studios, Rio é um filme acima da média. Possui um roteiro bom, personagens cativantes, trilha sonora agradável, além, é claro, da excelência da animação. Porém, poderia ser melhor se não tentasse criar uma identidade brasileira acumulando símbolos reconhecíveis, flertando com o exagero.
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