Após a sessão, debatedores discutiram a lucidez em tempos de guerra
Nesta quarta-feira, o 8º Ciclo de Cinema de Cultura Geral exibiu Este Mundo é dos Loucos, de Philippe de Broca. Na opinião de Claudio Arantes, professor da Cásper Líbero e organizador do Ciclo, é “o filme mais politizado deste ano”. Isso porque o longa é uma sátira e, também, uma fábula sobre a Primeira Guerra Mundial. Arantes mediou o debate sobre o filme, ao lado da psicóloga e também professora da Cásper, Genilda de Souza, e do aluno Maurício Hornek, do 3º ano de Rádio e Televisão.
Este Mundo é dos Loucos conta a história de Plumpick, um soldado britânico que foge para uma vila abandonada na França e, acidentalmente, se abriga em um manicômio. Temendo por sua vida, ele se passa por um dos pacientes. Ao ser indagado sobre seu nome, ele responde “Rei de Copas”, evidenciando, assim, sua loucura. Porém, o que era para ser uma brincadeira, acabou rendendo uma bela e complicada história.
O vazio da cidade é substituído pela invasão alegórica de todos aqueles que estão presos no hospital psiquiátrico. Enquanto isso, Plumpick permanecia inconsciente em virtude de uma forte batida na cabeça. Na ausência do protagonista, um novo mundo se instala na pequena vila. Todos os internos assumem seus velhos postos – surgem prostitutas, barbeiros, padres, bailarinas – e, como apontou Genilda, “todos assumem um papel dentro da sociedade”.
Como de costume, o aluno convidado abriu o debate. Hornek chamou a atenção da plateia para a maneira como os loucos assumem tais papéis. Isso já indicaria sua insanidade: "se todos foram embora, qual a razão de manter a mesma rotina?". No entanto, completou o estudante, as funções são desempenhadas de forma estranha - a nova cidade era semelhante à anterior apenas na superfície.
Em seguida, Genilda se pronunciou. Ela destacou que “quando não temos quem distinga quem é ou não louco, todos são normais”. A professora também falou da inversão que ocorre no filme - os loucos vivem em harmonia, aparentando ter mais juízo do que os alemães e escoceses, que estão em guerra.
Por fim, Arantes levou os presentes a pensar em como os loucos encaravam as outras pessoas. Ele lembrou um momento do filme, em que Plumpick tenta levar os loucos para fora da cidade, mas todos se negam, dizendo que, “lá fora”, existem muitos animais ferozes. Fazem, assim, uma clara referência aos sãos e aos perigos que eles representam.
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