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04/04/2011 - 17h59 - Atualizado em 20/05/2012 - 16h59

Superação de limites e etnomatemática marcam mesa do segundo dia de Seminário Internacional Emoção e Imaginação

Louise Solla, 3º ano de Jornalismo

Os professores Helga Peskoller e Ubiratan D´Ambrosio falam sobre o papel da imaginação e da emoção na superação de limites físicos e temporais

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A segunda mesa do dia 31 de março, do Seminário Internacional Emoção e Imaginação, teve Limites, ou melhor, a superação deles, como principal temática. A mesa foi composta pela professora alemã Helga Peskoller, do Instituto de Educação da Leopold-Franz-Universität Innsbruck, e por Ubiratan D´Ambrosio, professor do programa de Pós-graduação em Educação Matemática da Universidade Bandeirantes de São Paulo (UNIBAN).

Helga realizou uma análise das relações de equilíbrio entre o corpo e a imaginação, usando como exemplo o caso de Lynn Hill. Trata-se de uma escaladora americana que ficou famosa na década de 1980 por ter feito Freeclimbing, (escalada realizada apenas com o corpo, sem o uso de aparatos) no The Nose, um dos maiores paredões rochosos dos Estados Unidos.

A palestra foi conduzida a partir de cenas da escala em câmera lenta, que eram mostradas para que a palestrante pudesse destacar o esforço da escaladora e o que estava por trás do feito. Helga explicou que os fatores que permitiram a escalada foram mais do que um intenso treinamento físico, concentração e paciência, mas também o uso da imaginação. “Para o freeclimbing são necessários dois pontos de apoio, um real e um imaginário.”, disse a professora.

De acordo com ela, a escalada não ocorre apenas no âmbito físico, mas também no mental. “É imaginando uma escalada sem quedas que se chega ao topo. É preciso se entregar por completo”, argumenta. No caso da escalada, a experiência imaginária ocorre a partir de sensações tácteis. “O aspecto visual da imaginação se transforma em imagens tácteis. O que ajuda é o saber inteiro do táctil, criado pelos dois lados, a pele e a pedra”, indicou.

Segundo a professora, a escalada de Lynn Hill exemplifica a existência de uma profunda relação entre objetos externos e ações internas. “Os objetos externos motivam as ações internas. Existe um engate de emoções para que ações aconteçam”, explica.

Ubiratan D´Ambrosio também abordou a relação do homem com a natureza, mas a sua análise foi mais ampla e crítica do que a de Helga, Segundo o professor, “o mundo não vai bem e ninguém pode contestar”. “Estamos alterando tanto a natureza que nosso relacionamento com ela, e com outros de nós, está desastroso. É preciso questionar os sistemas atuais para a permanência do planeta”, afirmou D´Ambrosio. 

Em sua apresentação, D´Ambrosio explicou que toda a sua pesquisa é focada no estudo do fenômeno da vida e na relação entre sobrevivência e a busca do homem por transcendência. “Todas as espécies visam à sobrevivência e perpetuação. A nossa procura ir além, por isso criamos a linguagem”. Ele afirmou que o desenvolvimento de emoções também faz parte dessa busca. “O homem primitivo não tinha emoções fora o ter medo e não ter medo. A transcendência se dá em outra realidade e é produzida por emoções”, indicou.

O professor também explicou os princípios da etnomatemática, campo das ciências exatas do qual D´Ambrosio é um dos principais teóricos. A técnica transdisciplinar consiste na construção de conhecimento baseada no estabelecimento de uma relação com o ambiente natural, social e imaginário do homem. “A etnomatématica procura as raízes socioculturais e emocionais do conhecimento que está fora das gaiolas disciplinares e culturais.”, esclareceu.

D´Ambrosio elucidou a principal diferença entre o aprendizado atual e aquele realizado a partir das técnicas da etnomatemática, que procura maior integração dos alunos como parte ativa do aprendizado. “Você faz operações matemáticas desde que nasceu. As escolas tratam os alunos como se o que ele pensa não valesse. Nós tentamos estimular e despertar o conhecimento prévio das crianças, valorizá-las”, finalizou D´Ambrosio.



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