Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Filmes

25/03/2011 - 12h21 - Atualizado em 22/05/2012 - 20h55

Outro retrato

Por Bianca Chaer, aluna do 2º ano de Jornalismo

“O Retrato de Dorian Gray”, clássico romance de Oscar Wilde, ganha mais uma refilmagem

Compartilhe:


Reprodução
Os atores Colin Firth e Ben Barnes interpretam,
respectivamente, Lord Henry Wotton e Dorian Gray

Lançado no exterior em 2009, chega aos cinemas brasileiros O Retrato de Dorian Gray. O filme dirigido por Oliver Parker já é a terceira adaptação de obras de Oscar Wilde na qual o realizador se aventura. Ele abusou da sorte na adaptação anterior, The Importance of Being Ernest, traduzida como Armadilhas do Coração, que foi reduzida a mera comédia romântica de época. Mesmo assim, ganhou uma segunda chance.

O longa conta a história do jovem Dorian Gray (Ben Barnes), que se muda para Londres e procura abrigo na antiga mansão de seu finado tio. A beleza do jovem chama a atenção de todos, e não demora para atrair admiradores. O primeiro deles, o artista Basil (Ben Chaplin), oferece-se para pintar um retrato dele, preservando sua beleza para sempre. Dorian também conhece Lord Henry Wotton (Colin Firth), um aristocrata que se diz bem mais corrupto do que realmente é, e que acredita apenas na juventude e na beleza.

Em pouco tempo, levado por Henry ao vil mundo dos cabarés londrinos, toda a pureza de Dorian se esvai, dando lugar à luxúria e embriaguez dos sentidos. O lorde o encoraja a buscar o prazer sem limites ou pudores, do tipo que degrada a alma do mais cândido ser humano. Entretanto, aos poucos Dorian percebe que tudo o que faz parece não afetá-lo fisicamente. Quem sofre mudanças na aparência é seu quadro, que passa a envelhecer e refletir sua alma. E para proteger esse segredo, ele será capaz de tudo.

O elenco conta com Ben Barnes, recém saído de As Crônicas de Nárnia. Sua escolha para o papel de Dorian Gray foi perfeita em termos de estética - difícil imaginar um ator que se pareça mais com a imagem do jovem que foi formada no inconsciente coletivo a partir das descrições impecáveis de Oscar Wilde: de traços delicados e beleza singular. Entretanto, sua atuação deixa a desejar, simplesmente não funciona.

Rachel Hurd-Wood também faz parte do elenco, e vive a bela Sybil Vane, paixão do jovem Dorian. A atriz mostra falta de versatilidade, e aparece com a mesma expressão de suas últimas personagens no cinema, Wendy Darling de Peter Pan e Laura Richil de Perfume - A História de um Assassino. O único que convence é Colin Firth, recentemente nomeado ao Oscar de melhor ator por O Discurso do Rei, que mostra uma personagem bem caracterizada, que evolui ao longo do filme.

No final, a versão de Parker, ainda que menos charmosa do que a de Albert Lewin em 1945 e bem menos impactante do que a obra original de Wilde, provoca as reflexões básica de O Retrato de Dorian Gray acerca da beleza do corpo e da alma, da diferença entre prazer e felicidade e da busca por redenção.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.