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24/03/2011 - 17h04 - Atualizado em 22/05/2012 - 10h23

Arte, cidade e reflexão

Por Caroline Mendes, aluna do 2º ano de Jornalismo

Exposição na Matilha Cultural resgata a arte do graffiti das ruas e fomenta discussão a respeito de seu caráter sociopolítico

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Daisy Grisolia
Obra do artista Ozi ressignifica a capa de disco
dos Beatles com estêncil

Ora aclamado como expressão artística urbana, ora taxado de poluidor visual, o graffiti segue estagnado entre o divino e o profano no que diz respeito ao seu caráter artístico. Diante dessa contradição, até o dia 16 de abril, a Matilha Cultural vota a favor da arte e traz o trabalho de cinco grafiteiros na exposição Elemento Vazado: Estêncil Arte na Matilha.

Tendo como carro-chefe o estêncil – desenho, letra ou número vazado em papel ou acetato – e abusando de cores, colagens, intervenções, fotos e quadros, a exposição é recomendada em caso de dúvidas sobre o caráter artístico do graffiti.
Ao decapitar imagens de humanos e colocar cabeças de animais no lugar, a dupla Alto Contraste brinca esteticamente com as imagens, além de violar o conceito do corpo humano perfeito em suas formas e funções.

O artista Ozi também enriquece a mostra com intervenção em uma antiga capa de LP dos Beatles, na qual usa o estêncil de uma caveira e de um coração anatomicamente detalhados. Ele também utiliza a imagem de Cristo, que é visto trajando orelhas do Mickey Mouse sobre um fundo de rótulos de guaraná Jesus, famosa bebida maranhense. Com essas duas obras, Ozi mescla figuras sacralizadas na cultura ocidental à banalidade cotidiana, resultando em algo meio pop art, meio arte urbana.

No site da Matilha, Demetrio Portugal, diretor de projetos da instituição, fala sobre a stencil art: “Suas mensagens normalmente remetem à estética da contra-propaganda, apropriando-se e ‘mixando’ ícones, palavras, símbolos e desenhos de rápida assimilação que explodem nas paredes da cidade repetidamente, já que sua técnica tem os mesmos princípios da impressão industrial”.

Trocando em miúdos, um estêncil com o rosto de Che Guevara reproduzido várias vezes, em inúmeros pontos da cidade, tem o poder de surpreender o cidadão durante muitos momentos do dia e, assim, fixar a mensagem desejada com aquela imagem: revolução ou algo similar. Isso garante à stencil art, além do aspecto artístico, um caráter politizado.

Os outros grafiteiros que participam da exposição são Celso Gitahy, que iniciou sua carreira nos anos 80 escrevendo com canetas piloto em banheiros públicos e transportes coletivos; Daniel Melim, conhecido por grafitar as paredes do ABC Paulista; e Rodrigo Chã, cuja busca é proporcionar uma melhor interação entre cidade e cidadão por meio de sua arte.

Seguindo a linha de pensamento de Chã, o graffiti muitas vezes é responsável por chamar a atenção do cidadão para o local onde vive, sendo o elemento que provoca uma reflexão sobre a cidade e tornando-a menos agressiva, inóspita e exaustiva. Assim como Drummond encontrou poesia em uma flor que nasceu na rua, os grafiteiros imprimem cores e formas mundo afora onde elas são menos esperadas, fazendo com que as pessoas encontrem nelas a arte do cotidiano ou, simplesmente, um ponto de partida para a reflexão sociopolítica.

Elemento Vazado - Estêncil Arte na Matilha
Matilha Cultural
Rua Rego Freitas, 542 – São Paulo. Tel.: (11) 3256-2636
Grátis
http://www.matilhacultural.com.br



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