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21/03/2011 - 15h51 - Atualizado em 22/05/2012 - 13h00

Entenda mais sobre os manifestos contra o aumento do preço das passagens de ônibus

Anna Paula Mascarenhas (1º ano de Jornalismo) e Vinícius de Melo (3º ano de Jornalismo)

Saiba quem são os grupos atuantes e quais são as reinvidicações

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Anna Paula Mascarenhas
Policiais vigiam o manifesto realizado na Avenida Paulista, no dia 3 de março

Na quinta-feira anterior ao carnaval, 3 de março, transeuntes da Avenida Paulista testemunharam um grupo de manifestantes que, organizados na Praça do Ciclista, mobilizaram a via sentido Paraíso. A reunião foi feita pela defesa de uma única causa: a indignação perante o aumento da passagem de ônibus, que de R$ 2,70 foi para R$3, conforme instituído pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O reajuste, imposto desde o dia 5 de janeiro, desencadeou numa série de manifestos que interromperam o trânsito, para que a causa tivesse atenção. O ato do dia 3 era o oitavo já realizado, sendo que o nono já era programado para o dia 17 de março. Ambas as empreitadas acabaram em confusão no Anhangabaú.

Segundo manifestantes, os argumentos utilizados pela Prefeitura para justificar o aumento da tarifa não são totalmente válidos. De acordo com nota divulgada pelo Partido dos Trabalhadores, as planilhas utilizadas pela SPTRANS (Secretaria Municipal de Transportes) alegam que o custo do óleo diesel passou de R$ 1,705 em 2009 para 1,854 em 2010. Mas, em consulta à Petrobrás, a Estatal informou que ainda vende o combustível a R$1,70 o litro na capital paulista. Outra explicação seria o aumento de 139% que o preço do pneu teria sofrido, passando de R$280 para R$670 a unidade – dados que não correspondem aos valores encontrados no mercado. “Quando a Prefeitura decide fazer um aumento das passagens de ônibus, ela tem que enviar para a Câmara Municipal as razões que justificam esse reajuste. Digo que [o aumento] é ilegal porque os dados da justificativa foram manipulados”, afirma o vereador petista José Américo, que foi agredido por policiais durante o sétimo ato.

Com intuito de cancelar o reajuste da passagem, a bancada de vereadores do PT de São Paulo protocolou um mandado de segurança no Tribunal de Justiça contra o prefeito Kassab. Mas o julgamento ainda não foi realizado. Além do PT, outros partidos e grupos se mostram ativos no protesto, como o PSTU, a Anel (Assembléia Nacional de Estudantes - Livre), a CSP (Central Sindical e Popular - Conlutas) e o MPL (Movimento Passe Livre). Este último destaca-se pela quantidade de manifestantes participantes em todos os atos. Eles são identificados por bandeiras, cartazes e camisetas. Segundo Caio Martins Ferreira, estudante do ensino médio e integrante do MPL há três meses, as manifestações vêm ganhando força. “O mandado de segurança emitido pelo PT é positivo para a nossa causa, mas deveria ter sido julgado no dia 1? de março e não foi”, explica o colegial.

Em nota à imprensa, a Prefeitura alega que sempre manteve os canais de diálogo abertos e, portanto, não entende as razões que levaram ao uso de violência nos últimos atos. Segundo o informativo, a Prefeitura de São Paulo espera que esta questão seja resolvida com diálogo e em clima de civilidade.

Conheça os grupos envolvidos

Anna Paula Mascarenhas
Movimento Passe Livre é considerado o grupo
mais atuantes durante os protestos ocorridos
em São Paulo

Movimento Passe Livre: grupo apartidário, horizontal, independente e autônomo que defende uma reforma no transporte público, a qual o tornaria gratuito. Segundo seus defensores, a tarifa torna inacessíveis setores como saúde, lazer e educação para parte da população, sendo que o transporte – como serviço público – deveria zelar pela não exclusão. Essas mudanças estariam diretamente relacionadas a uma reforma tributária nos impostos progressivos e a uma melhoria na distribuição do orçamento público.

Assembléia Nacional de Estudantes – Livre: entidade estudantil com o objetivo de discutir sobre os problemas do Brasil e de lutar pelo direito dos estudantes

Central Sindical e Popular - Conlutas: coordenação aberta à participação de qualquer entidade, sindicato, organização popular, estudantil ou movimento social que queira somar-se à luta contra as reformas neoliberais e contra o modelo econômico do governo. A entidade apóia as ocupações de terra, de terrenos e luta dos movimentos sociais, assim como a luta das chamadas minorias



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