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16/03/2011 - 17h05 - Atualizado em 21/05/2012 - 23h08

Vereador conta sobre sua participação no movimento contra o aumento das passagens de ônibus

Vinicius de Melo (3º ano de Jornalismo) e Anna Paula Mascarenhas (1º ano de Jornalismo)

José Américo, do Partido dos Trabalhadores, esteve presente em uma das manifestações conduzidas pelo Movimento Passe Livre. O político explica sua colaboração e a ilegitimidade do reajuste

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Fernando Cavalcanti/UOL
Vereador José Américo foi agredido mesmo depois
de ter se identificado como parlamentar

Aconteceu no dia 17 de fevereiro uma das manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) contrárias ao aumento das passagens de ônibus em São Paulo. Nesse evento, mais dois vereadores do Partido dos Trabalhadores, Antonio Donato e Juliana Cardoso, acusam os policiais ali presentes de agredi-los fisicamente. Leia a seguir o depoimento de José Américo (PT), um dos vereadores envolvidos.

Como o senhor se envolveu na manifestação?

O MPL iniciou uma série de manifestações contra o aumento das passagens. De início, os vereadores do PT não compareceram a elas. No entanto, uma convergência de interesses acabou nos aproximando. Quando o aumento foi anunciado, o PT se posicionou contra. Além de ter sido acima da inflação, acreditamos que o reajuste foi manipulado. Por isso, o partido entrou com uma ação na Justiça propondo a suspensão desse aumento ilegal. Além de injusta, essa medida é ilegal.

Por que os vereadores do PT consideram esse aumento ilegítimo?

Quando a Prefeitura decide fazer um aumento das passagens de ônibus, ela tem que enviar para a Câmara Municipal as razões que justificam esse reajuste. Digo que é ilegal porque os dados da justificativa foram manipulados. A Prefeitura alegou que o valor pago pelo diesel aumentou para R$ 1,85. No entanto, a Petrobrás nos comunicou oficialmente que o preço do litro do diesel em São Paulo chega a no máximo R$ 1,70. Se comprado em grandes quantidades, pode ser ainda mais barato. Fora isso, foi alegado que os pneus, segundo a planilha da Prefeitura, tiveram um aumento de preço maior que 200% em um ano.

No dia 17 de fevereiro havia uma reunião marcada com o Secretário de Transportes. O que aconteceu, afinal?

No evento ocorrido em frente à Prefeitura de São Paulo, onde houve a repressão, era a terceira manifestação que eu, o vereador Donato e a vereadora Juliana [todos do PT] participávamos. Naquele dia de manhã, havia sido marcada uma Audiência Pública para o MPL conversar com a Secretaria Municipal de Transportes. Nós também comparecemos. Todavia, ninguém da Secretaria esteve lá, então marquei uma nova reunião com o Secretario Adjunto de Transportes, Pedro Luiz de Brito Machado, por telefone. Ele nos recebeu e justificou as razões da Prefeitura para o aumento da passagem de ônibus.

Por volta do meio-dia, os integrantes do Movimento Passe Livre informaram que sete pessoas haviam se acorrentado às catracas do hall da Prefeitura. Nós tentamos abrir um diálogo entre o governo e os meninos do MPL, mas não houve resultados. Às 17h, havia uma manifestação programada. O vereador Donato e eu queríamos que fosse marcada uma nova conversa entre o pessoal do Passe Livre e a prefeitura, porque o pessoal que estava acorrentado queria a abertura de uma negociação – já que aquela que havia sido marcada de manhã foi frustrada.

Infelizmente, recebemos uma resposta negativa. Neste momento, começamos a ouvir bombas. No começo, pensamos que eram fogos de artifício. Quando fomos até a janela, vimos que a manifestação do Movimento Passe Livre estava sendo reprimida pela Polícia Militar. Descemos no mesmo instante e constatamos que a Tropa de Choque estava atacando os manifestantes de forma gratuita.

Que tipo de armamento foi utilizado para agredir os presentes?

Foram utilizadas bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Eu me identifiquei com a carteira de vereador e fui tentar falar com o Amarildo Garcia, comandante da operação, mas fui absolutamente ignorado. Tentei segurar o ataque da Tropa de Choque contra o MPL e acabei sendo agredido com um escudo, que quebrou meu dedo. Outro policial veio por trás e jogou spray de pimenta em mim. E ainda havia vários soldados sem identificação. Essa conjuntura demonstra que a Tropa de Choque estava, sem dúvida, com péssimas intenções.

Quais seriam essas intenções e quem estaria por trás delas?

Eles estavam agindo de má fé. E, em minha opinião, orientados de cima. Geralmente, um soldado não age dessa maneira sem ordens superiores. Eles claramente foram orientados para tirar os vereadores da “área de combate”. Nós ficamos por lá até a meia-noite, negociando com a Polícia Militar para que ela não prendesse os garotos que estavam acorrentados. A PM queria levá-los, alegando que estavam cumprindo ordens do Governador Alckmin e do Secretário de Segurança Pública do Estado, Ferreira Pinto. Um absurdo. Depois de muita negociação, às 23h30 resolveram liberar os integrantes do MPL.

E qual foi o papel da Guarda Municipal (GM) neste episódio?

A Guarda Municipal teve um péssimo desempenho durante toda a manifestação. A meu ver, a GM se precipitou quando alguém derrubou uma das grandes. A isso se somou a intenção da PM de dar uma “lição” nos manifestantes. Eu vejo que existe, principalmente por parte do governo do estado, uma política de criminalização dos movimentos sociais.

Em que pé está a liminar de suspensão e quais são os outros planos do MPL? Haverá novas reuniões para dialogar sobre as razões do aumento?

Eu não acompanho o dia a dia do Movimento, mas sei que há uma grande manifestação marcada para o dia 17 de março. Isso foi anunciado na última manifestação em que eu estive presente. Tinha sido agendada uma reunião com o Secretário dos Transportes, na sexta-feira (11), mas ele respondeu – pela internet – que não pode mexer na tarifa. Então foi marcada essa nova manifestação para pressionar a Prefeitura.

Já o pedido de liminar que pede a suspensão imediata do aumento já deveria ter sido julgado. Faz mais de um mês que ele está nas mãos do juiz do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O pedido continua sendo protelado de maneira inexplicável. Digo protelado porque, se não há fundamento, é só negar o recurso.

Entenda mais sobre os manifestos contra o aumento do preço das passagens de ônibus



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