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16/03/2011 - 15h15 - Atualizado em 21/05/2012 - 04h37

Foto em dois

Thiago Mota, 2º ano de Jornalismo

Ariovaldo Vicentini e Simonetta Persichetti formam a dupla que leciona as aulas de Fotojornalismo para os primeiros anos do curso. Amizade e conhecimento sobram entre os dois

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Tiago Mota
Antigos conhecidos do Senac se reencontram na Cásper
Líbero, agora como professores de fotojornalismo

Dupla dinâmica, Ariovaldo Vicentini e Simonetta Persichetti combinam competência com a amizade que cultivam desde antes da atividade acadêmica compartilhada. Foi em 2010 que Simonetta passou a lecionar a disciplina de fotojornalismo junto com Vicentini, na Faculdade Cásper Líbero. “Os alunos do primeiro ano chegam para nossa aula com a idéia de fotografia como hobby. No final da disciplina, as discussões já ficam muito mais acadêmicas. É quando eles passam a não se interessar somente pela fotografia crua, mas também pelo estudo da imagem”, conta o professor.

Ariovaldo, ou só Ari, é repórter fotográfico desde 1979, embora graduado em Direito na Faculdade Padre Anchieta. A fotografia ganhou mais força em sua vida em 2004, quando o professor completou sua pós-graduação em Artes com ênfase em Fotografia, no Senac. Foi lá que conheceu Simonetta, sua professora e orientadora do curso. Com passagens pelo Jornal da Tarde e o Estado de S. Paulo, Ari é atualmente coordenador de fotografia no diário Lance!. Para Ari, ser um professor atuante no mercado de trabalho aproxima os estudantes e rende boas dicas. “Essa é a experiência que tento passar para os meus alunos. Claro que sem perder o foco teórico”, explica. 

Simonetta veio de Roma, mas foi no Brasil que nasceu seu fascínio pela arte. “A fotografia entrou na minha vida, eu me apaixonei e não me arrependo. Quis aprender como o homem se comunica com a imagem em vez da palavra”, afirma com entusiasmo. E foi longe, afinal são mais de 30 anos no ramo. Simonetta é formada em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com mestrado em Comunicação e Artes e doutorado em Psicologia Social.  Hoje, a italiana colabora no Caderno 2 do O Estado de S. Paulo, mas também já trabalhou na Editora Abril e na revista Isto É, além de ganhar o prêmio Jabuti em 1999, na categoria Reportagem, pelo livro Imagens da Fotografia Brasileira. No entanto, Simonetta é uma teórica da imagem e, quando este tipo de especialização ainda engatinhava, ela se tornou uma renomada crítica de fotografia. 

Pelas noites das segundas e manhãs de quinta-feira, as classes do primeiro ano de Jornalismo são divididas em duas turmas. Ari ensina predominantemente as questões técnicas e práticas da fotografia, enquanto Simonetta se responsabiliza pelo estudo teórico da imagem. Juntos, seus ensinamentos levam em conta não somente as imagens de qualidade técnica, mas também com conteúdo, informação e, acima de tudo, ética. “Estudando fotojornalismo, o repórter se torna mais crítico, desliga o automático e começa a analisar melhor um determinado acontecimento”, expõe Ari. 

Aulas divididas funcionam bem? Simonetta responde: “Essa parceria dá supercerto! A aula acaba ficando mais eficiente para cada grupo”. E Ari completa: “Nós agregamos ao curso coisas que os outros não têm ou têm em pequena quantidade, devido à limitação de espaço, tempo e estrutura”. Para os alunos veteranos, as aulas com a dupla renderam bons frutos. Segundo Gabriela Sá Pessoa, estudante do 2º ano de Jornalismo, “foi uma das aulas mais curiosas”. A aluna conta que os professores apresentaram uma linguagem que não era de seu conhecimento nem da maioria da sala. “Por mais que eu não planeje me tornar uma fotojornalista, sei me virar muito bem com uma câmera”, acrescenta. Já Paula Teresa, também do 2º ano, mostra que seu interesse em se especializar em fotografia se consolidou ainda mais. “Os vários conselhos deles me ajudaram. Eles me influenciaram bastante.”

Para os dois professores, um bom fotojornalista é jornalista em sua fundação. “As características primordiais são as mesmas: curiosidade constante, atenção à importância de todos os fatos, disposição para ouvir o outro e ética.” Além disso, Ari destaca que um profissional da imagem não pode deixar a fotografia se tornar maior do que a sua função jornalística. “Eu conheço um monte de profissionais que são ótimos e conceituados e que, na maioria das vezes, fazem uma boa, bonita e estética fotografia ganhadora de prêmios, mas acabam esquecendo o que eles foram fazer lá, o que os levou a esta fotografia. Querer fazer somente a foto bonita mascara a realidade ou não informa direito”, considera. 

Os anos de experiência revelam um fato curioso para a dupla: no começo do ano letivo, eles costumam perguntar aos alunos quantos pretendem se tornar fotojornalistas, sendo que, normalmente, poucos se manifestam. Porém, no final do curso de Fotojornalismo, ao fazer a mesma pergunta, o número aumenta vertiginosamente. “Eu fico feliz quando algum deles se torna fotógrafo! A sensação é muito parecida com o sentimento de mãe orgulhosa”, comenta Simonetta. Afinal, na opinião dos professores, em uma sociedade que consome um número absurdo de imagens, é preciso cada vez mais bons profissionais que, conscientes de seu papel e objetivo, produzam fotos com qualidade e conteúdo – e isso a dupla dinâmica ensina a fazer muito bem. 



Comentários Comentários Postados
Gabriela[16/03/2011 - 16:30]

Ótimo texto, Tiago! Perguntas relevantes que responderam à curiosidade de leitores e alunos sobre essa dupla dinâmica. Parabéns!

Vinícius[20/03/2011 - 02:02]

Gostava muito da aula deles no primeiro ano. O Ari traz muita coisa relevante do dia-a-dia do jornalismo, até pela vivência dele na área, e a Simonetta manda muito bem na teoria. Ah, parabéns pelo texto!

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