Semana de moda parisiense mostrou nas passarelas os recentes acontecimentos no mundo da moda
Paris nunca deu tanto o que falar. Durante a Paris Fashion Week outono/inverno 2011/2012, que aconteceu dos dias 1 a 9 de março, a capital francesa foi cenário de boatos e novidades que entrarão para a história. A edição fechou a temporada de moda internacional, que teve início em Nova York e passou também por Londres e Milão.
A semana começou bem e, no terceiro dia, aconteceu o desfile da Balmain, que gerou comentários entusiasmados. O motivo não foi a coleção cheia de brilhos, botas e blazers com ombros estruturados, mas sim o sumiço do estilista. Christophe Decarnin, que comanda a grife desde 2005. Ele não apareceu ao final da apresentação e as apostas foram longe: o site WWD afirmou, via um porta-voz da Balmain, que Decarnin estava fazendo um tratamento contra depressão e tinha acabado de deixar o hospital. Revistas publicaram que ele estaria internado em um hospital psiquiátrico, tratando-se de um colapso nervoso. O dono da marca, Alain Hivelin, por sua vez, contou ao Telegraph que o diretor-criativo de sua grife estava apenas cansado por ter trabalhado tanto e ficou em casa dormindo. Em quem acreditar?
John Galliano
Mesmo com tantas sugestões sobre o que teria acontecido na Balmain, os três primeiros dias de desfiles foram ofuscados por uma confusão ainda maior em outra grife. John Galliano, estilista da Dior desde 1996, foi demitido após ter feito declarações antissemitas em um vídeo divulgado pelo tablóide inglês The Sun. A marca afirmou não aceitar qualquer tipo de racismo e a demissão foi praticamente instantânea. Ainda assim, o desfile aconteceu, no dia 4, trazendo saias godê, vestidos de cintura império e referências aos trajes masculinos do século 19, com a marca do estilista.
O diretor da Dior, Sidney Toledano, fez uma declaração em defesa da empresa, na passarela, antes da apresentação. Coincidência ou não, ele é judeu. O desfile foi encerrado por um time de 50 funcionários do ateliê da tradicional maison francesa, o mais valioso nome do maior grupo de marcas de luxo do mundo, LVMH (LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton).
Galliano se manifestou oficialmente pouco antes do desfile da Dior. Pediu desculpas pelo seu comportamento e assumiu as responsabilidades. Amigos do estilista saíram em sua defesa nas redes sociais, demonstrando tristeza pelo acontecido e enaltecendo seu talento. Uma reportagem do International Herald Tribune afirmou que colegas de trabalho de Galliano o teriam aconselhado a tratar do provável abuso do álcool em uma clínica de reabilitação e que o estilista já teria deixado Paris em busca de ajuda.
Além de Dior e Balmain
Dividindo o quarto dia de Paris Fashion Week com a tão comentada Dior, os desfiles de Roland Mouret e Lanvin ficaram entre os mais elogiados. Coleções coerentes e sóbrias à maneira apreciada pelos parisienses. O penúltimo show da noite foi o de Pedro Lourenço, estilista brasileiro de apenas 20 anos, que participou pela terceira vez do evento. Recortes arquitetônicos, peles de raposa que vieram do filme A Vênus Loira (Blonde Venus, 1932) e as já tradicionais transparências em tule foram as apostas do jovem talento.
No dia 5, foi a vez de Haider Ackermann estar sob os holofotes. Escolhido pela imprensa mundial como a principal aposta do momento, ele não deixou a desejar e mostrou uma coleção com alfaiataria precisa, cintura marcada e um minimalismo brilhoso, com drapeados e tecidos acetinados. Batendo o recorde da temporada no quesito “envolvimento em boatos”, o estilista belga é um nome considerado para ocupar as direções criativas da Yves Saint Laurent, da Givenchy e até mesmo da Dior, no lugar de Galliano. Karl Lagerfeld também declarou que gostaria que Haider ocupasse seu posto na Chanel, após sua aposentadoria. Depois de tantos elogios, o queridinho da vez apenas se declarou focado em seu trabalho, mas afirmou não descartar as possibilidades.
O desfile da marca John Galliano também não deixou de acontecer após tantas polêmicas envolvendo o estilista. O grupo LVMH controla 90% do nome que, por enquanto, continuará a existir. A apresentação foi sucinta e discreta: com ênfase no romantismo dos anos 40, a coleção contou com muitos vestidos fluidos, transparências, plumas, bordados e chapéus. Um luxo antigo e melancólico que combinou com o contexto.
Os desfiles da Chanel, Alexander McQueen e Louis Vuitton encerraram a temporada e também foram bastante comentados. Na primeira grife, o motivo de burburinho foi Blake Lively, nova garota propaganda da marca, que não apareceu no dia da apresentação. A atriz teria declarado que “achava brega” celebridades na primeira fila de desfiles. O boato foi desmentido em pouco tempo, quando foi divulgado oficialmente que a atriz não compareceu por ter compromissos com as gravações do seriado Gossip Girl, em Nova York, onde acabou ganhando um jantar da Chanel em sua homenagem.
Já no desfile de McQueen, estilista que cometeu suicídio em sua casa em Paris, no ano passado, o bas-fond foram as famigeradas botas brancas. Também vistas em outros desfiles (como Balmain e Isabel Marant), os calçados de McQueen vieram mais fetichistas, longos e com amarrações. Um dos itens mais polêmicos do vestuário feminino, a bota foi uma das maiores apostas da semana parisiense.
O ponto alto de encerramento foi o desfile da Louis Vuitton, que proporcionou o retorno das veteranas Naomi Campbell e Kate Moss. Com um cenário inspirado em um hotel de luxo, as modelos chegaram de elevador à passarela para mostrar a coleção inspirada em fetiche e obsessão. Marc Jacobs, estilista da grife, disse ter buscado inspiração nos escândalos e crimes que podem acontecer no ambiente de um hotel. O resultado foi muito couro, renda e uniformes de camareira.
Paris trouxe como as maiores apostas para a próxima estação no hemisfério norte o branco, o dourado, peles, chapéus, blazers com ombros marcados, vestidos com renda e transparências. Um ar nostálgico e a busca de um luxo antigo foram quase palpáveis. Entretanto, as novidades da atualidade parecem ter sido o foco dos fashionistas. Afinal, com tanto acontecendo no mundo da moda, como focar somente nas roupas?
Comentários Postados
parabéns laurinha, pelo texto e sucesso desde já! o texto ficou muito legal. :D
Ótima matéria Laura, realmente moda é seu caminho. Parabéns!
Laura,parabéns,essa matéria,é a primeira de muitas que irá escrever,Capacidade p/ isso vc tem de sobra.Continue assim.
Assina o texto: Laura M. P. Stoppa - 1o. ano de jornalismo !!! Tem certeza que é isto mesmo ??? !!! Se estiver correto, preciso urgente comprar o "passe" desta garota . Muito bom !!!.
Laaaura , taa muitoo boom meninaa ! paraaabens
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