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15/03/2011 - 12h33 - Atualizado em 19/05/2012 - 05h24

Literatura no metrô de São Paulo

Por Carla Leonardi, aluna do 3º ano de Jornalismo

O sucesso do projeto que leva poesia ao cotidiano de milhares de pessoas

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Carla Leonardi
Poema de Mário Sá Carneiro na Estação Paraíso

“Quem vê, Senhora, claro e manifesto/O lindo ser de vossos olhos belos/Se não perder de vista só em vê-los/Já não paga o que deve a vosso gesto”. É com esse trecho de um soneto de Camões que os usuários da estação Alto do Ipiranga começam o seu dia. A iniciativa de incluir obras de grandes escritores no cotidiano das pessoas faz parte do projeto Poesia no Metrô, que teve início em outubro de 2009 e continua encantando milhares de pessoas.

Idealizado pelo poeta Carlos Figueiredo, o plano nasceu com a intenção de utilizar espaços públicos para difundir a arte e provocar nos usuários o interesse pela leitura. “A ideia surgiu porque eu sempre penso o que posso fazer para disseminar poesia. Andei de metrô e pensei em colocar poemas ali. Preparei o projeto, apresentei aos responsáveis e demorei nove anos para conseguir fazer. Isso significa que a gente nunca deve desistir, desde que se acredite na ideia”, disse o poeta.

A aposta na exposição contínua de poemas a um contingente significativo da população de São Paulo é baseada na capacidade de encantamento com o texto, já que pelas linhas verde e vermelha passam, aproximadamente 2 milhões de pessoas por dia, das quais muitas param em meio a tantos esbarrões apenas para ler alguns versos.

A professora de Língua Portuguesa, formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), Maria Feitosa de Lima, ressalta a importância de um projeto como esse não só em relação à questão do conhecimento literário, mas, principalmente, aos sentimentos que são despertados em cada indivíduo: “Imagine o que é para aquele passageiro que está começando o seu dia como se tivesse o peso do mundo em seus ombros e, de repente, se depara com um verso de Drummond falando de amor. Ou outro que teve um dia daqueles, e seus olhos encontram repouso em um verso de Fernando Pessoa, não sobrando mais espaço em sua mente para preocupações”.

Considerado um dos maiores programas de leitura em português já realizados, o Poesia no Metrô conta com obras de grandes nomes como Luis de Camões, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos e muitos outros. O projeto deverá se expandir ao longo deste ano para todas as estações que compõem o sistema do metrô, levando literatura a um número muito maior de pessoas. Como destaca a professora de Língua Portuguesa: “Projetos como esse devem ser copiados e colocados em prática em espaços públicos, próprios ou impróprios, para causar estranheza, pois a literatura deve despertar isso em nós”.

A direção de arte da mostra é do artista plástico Antônio Peticov. Já a seleção das poesias é feita pelo próprio idealizador do projeto, juntamente com o poeta Cláudio Willer. Os poemas são trocados periodicamente e, nas próximas edições, outras formas de seleção poderão ser utilizadas, talvez com a participação dos usuários do metrô.



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