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15/03/2011 - 15h41 - Atualizado em 23/05/2012 - 04h35

Jornalista brasileira ganha prêmio Troféu Mulher Imprensa por seu trabalho no Wikileaks

Thiago Tanji (3º ano de Jornalismo) e Tiago Mota (2º ano de Jornalismo)

Natalia Viana conta como atua na mediação entre a organização de Assange e a mídia brasileira

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Divulgação
Natalia Viana diz que, de três mil documentos
sobre o Brasil, somente quinhentos foram
publicados

Ela tem em seu poder milhares de documentos secretos de governos e empresas, os quais podem abalar profundamente os rumos da geopolítica mundial. Mais do que isso: ela é responsável por publicá-los e enviá-los para os maiores jornais do país. Engana-se, porém, quem pensa que esse trabalho é feito por espiões ou agentes secretos.

No Brasil, a representante do Wikileaks, organização internacional responsável por publicar informações e documentos confidenciais, é a jornalista independente Natalia Viana. Foi justamente por esse cargo que ela foi ganhadora da última edição do Troféu Mulher Imprensa, na categoria “repórter de site de notícias”. Nas palavras de Natalia, “o troféu é reconhecimento do trabalho do Wikileaks, que não possui marca consolidada como grandes empresas midiáticas, em somar ao jornalismo”.

Tendo iniciado sua carreira como repórter na revista Caros Amigos, em 2002, Natalia explica seu trabalho na organização liderada pelo ciberativista Julian Assange. “O Wikileaks me convidou para fazer a elaboração da estratégia de lançamento e de publicação de documentos no Brasil. Fiquei responsável em escrever notícias e reportagens em português e inglês para o site deles, além de acompanhar a publicação de matérias pela Folha de S.Paulo e O Globo.” Fora sua responsabilidade como mediadora entre o Wikileaks e os principais diários brasileiros, a jornalista também revisa todos os arquivos antes de serem publicados, para ter certeza de que não há a presença de nomes de informantes que poderiam ser prejudicados.

Segundo Natalia, a lógica para a seleção de documentos que são enviados para a Folha de S.Paulo e O Globo é jornalística. “Quando escrevo para o site do Wikileaks, também estou pautando, ou seja, buscando arquivos a cada semana ou a cada dois ou três dias que rendam boas matérias.” A jornalista ainda afirma que existe muito a ser publicado, no Brasil: “Estou com três mil documentos e só publicamos quinhentos. A idéia do Wikileaks é publicá-los de maneira com que os grandes assuntos possam ser discutidos e não só jogados na rede”, complementa.

Quando perguntada se o Wikileaks seria danoso à imagem dos Estados, expostos através de informações confidenciais, a jornalista é categórica: “Vivemos em Estados democráticos. A lógica da democracia é que os documentos do governo tornem-se públicos. Nesse sentido, o Wikileaks está ajudando a fortalecer o poder democrático, que não é baseado somente no Estado, mas também em seus cidadãos. A organização não veio para questionar o poder, mas sim para fortalecer a democracia.” Além disso, na opinião de Natalia Viana, a iniciativa de Assange também tem um papel importante na mobilização popular: “Isso gerou uma discussão sobre o que é jornalismo hoje, o que é liberdade na internet e a importância da população estar ciente dos documentos do seu governo. Alguns desses, que mostravam a corrupção de governos déspotas, ajudaram a criar um clima de revolta que está mudando o mundo”, observa.

A jornalista está envolvida em outro projeto. Trata-se da criação de uma agência de reportagem em jornalismo investigativo, A Publica. “Queremos trazer para o Brasil um modelo que já existe em outros países: um centro de jornalismo investigativo. Vamos tentar suprir uma falta que existe no mercado. Teremos repórteres que ficarão períodos longos, de cinco a seis meses, investigando um determinado assunto. É um trabalho importante que os jornais façam, mas nós compreendemos que há problemas estruturais que os impedem de se dedicar a isso por períodos tão longos”, conclui.



Comentários Comentários Postados
Audrey Scheiner[21/03/2011 - 16:28]

Acho muito interessante ser jornalista investigativo. Você descobre fatos sobre o que acontece no mundo e no país, o que pode causar uma grande repercusão. Alavancar o jornalismo investigativo é´um ótimo projeto.

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