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10/03/2011 - 10h31 - Atualizado em 23/05/2012 - 03h53

Três grãos de areia

Por Thais Sawada, aluna do 3º ano de Jornalismo

O racional versus o emocional: tema do novo filme de Marcos Jorge e Fernando Severo

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Reprodução
Cartaz do filme

A insignificância de um homem frente à imensidão do universo. O conflito entre razão e emoção, objetivo e subjetivo. Esse é o tema central de Corpos Celestes, filme de Marcos Jorge (Estômago) e Fernando Severo, importante nome na indústria de curta-metragens brasileiros.

O longa tem como protagonista o astrônomo Francisco (Dalton Vigh).  Desiludido, apesar de sua paixão pela astronomia, ele não sabe como lidar com a aparente falta de importância do ser humano diante da complexidade do Cosmo, de forma que tende a duvidar de seu propósito na vida. Segundo ele, o homem é “um pouco mais que nada. Um pouco menos que pó”. E é assim que Francisco aparenta sentir-se.

O ponto de contraste toma forma na figura de Diana (Carolina Holanda), uma mulher envolvente e segura de si, que discorda com a visão de que nada do que o homem faz é relevante para o Universo. O relacionamento que se mantém entre as duas personagens faz com que Francisco procure entender seus próprios sentimentos em relação à misteriosa mulher e à sensibilidade inevitável da vida.

Jorge e Severo buscam mostrar de forma poética e lírica o paradoxo entre a filosofia e o pragmatismo em meio a uma história de amor; mas transcendem isso, abordando temas como a astronomia e cosmologia, pouco abordados na cinematografia brasileira.

Destaque para a atuação de Rodrigo Cornelsen, que faz sua estreia no cinema como Chiquinho, a personagem principal quando criança, que vive no Paraná de 1970 – ano da chegada do homem à Lua e da Copa do Mundo que consagrou o Brasil como tricampeão. Rodrigo comove na pele do menino que não aceita o pré-estabelecido e desafia o convencional, seguindo suas próprias curiosidades e interesses.

Os primeiros 40 minutos do filme mostram a infância de Francisco, sua amizade com o astrônomo americano Richard (Antar Rohit) e um fato marcante em sua vida, que o influenciaria ao longo dos anos. Como uma forma de intensificar a impressão de que uma nova história se inicia, os diretores optaram por introduzir os créditos iniciais apenas após o término dessa fase. Assim, o arco dramático seria maior.

Com bons efeitos especiais, Corpos Celestes surpreende por abordar assuntos pouco explorados anteriormente nessa indústria: o embate entre duas visões completamente diferentes, mas inevitáveis e necessárias. Como afirma o americano Richard, em Corpos Celestes: “Coloque-se três grãos de areia numa catedral e esta estará mais cheia de areia do que o céu, de estrelas”.



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