Pilar estético da Revolução Russa, o movimento propunha reinventar a arte e a sociedede

O principal objetivo da revolução de outubro de 1917 era transformar a sociedade russa de maneira radical, e os artistas russos se empenharam em participar ativamente desse processo. Vanguardista e revolucionário, o construtivismo deixou como legado a reinvenção da arte e sua completa ressignificação.
Nomes como Aleksandr Ródtchenko, Lyubov Popova e Kazimir Malevich pensaram, desde o irrompimento do levante que destruiria a casca podre do já deteriorado czarismo, qual seria o papel da arte na Rússia comunista. Muito além de pregar um movimento político ou meramente panfletário, o construtivismo propunha socializá-la.
O ofício do artista era similar ao de um engenheiro: em vez de representações, ele deveria produzir construções que contribuíssem com a vida cotidiana da emergente sociedade industrial. A concepção construtivista abrangia desde a matéria-prima da obra - refletindo o ideário do racionalismo científico trazido pelo advento da máquina - até sua finalidade prática, de utilidade para os indivíduos. Em outras palavras, a arte estaria ao alcance de todos.
A fotografia, o design, o teatro, o cinema e a arquitetura foram campos de constante experimentação dos construtivistas. Como exemplos, podemos citar as fotografias de Ródtchenko, os filmes de Sergei Eisenstein ou as construções tridimensionais, como as de Vladimir Tatlin, utilizando materiais como madeira, vidro e metal. Tratava-se da arte integrada à vida cotidiana e à realidade social.
O construtivismo, porém, vê a União Soviética tomar caminhos cada vez mais espinhosos e morre, melancolicamente, em 1930, sob a acusação de “arte degenerada” pelo stalinismo ultra-autoritário. No entanto, deixou sua marca na história pelo questionamento das propriedades e princípios da produção artística, a fim de participar da construção da realidade social.
Uma famosa citação do poeta Vladimir Maiakovski reflete bem o espírito do movimento: “Para vocês, o cinema é um espetáculo. Para mim, é uma forma de compreender o mundo”. Para os construtivistas, a arte era uma ferramenta para transformá-lo.
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