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02/03/2011 - 17h34 - Atualizado em 21/05/2012 - 14h56

Para Percival Henriques, pôr internet em cada casa não é suficiente

Lidia Zuin, monitora do site de jornalismo

Presidente da ANID reforça o investimento em infra-estrutura e como os costumes de navegação devem superar os atuais

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Safer Net
Percival Henriques problematiza a
infra-estrutura das telecomunicações

O presidente da Associação Nacional de Inclusão Digital (ANID) seguiu a proposta da jornalista Renata Mielli em comentar o Plano Nacional para Banda Larga. “Quando o governo apresentou o PNBL, foi algo estatístico que teve o Japão como referência de velocidade oferecida em relação ao preço. O que foi percebido é que o Brasil está com o preço lá em cima e a velocidade lá embaixo”, iniciou.

Para Percival Henriques, o debate vai além do aspecto qualitativo, chegando às questões daquilo que se quer e como. “Inclusão digital não é pôr internet em casa para as pessoas entrarem no Facebook e Orkut, assistir ao Big Brother Brasil pelo site. Eu não sei se isso muda muito do que já está sendo feito: só muda o foco”, opinou. Segundo ele, a totalidade das operadoras de telecomunicação brasileiras não teria condições de fazer o que se quer da internet, porque não há infra-estrutura.  “É olhando para nossa infra-estrutura que vemos quão longe estamos do que queremos ou daquilo que o próprio governo prometeu.”

Assim, Henriques explicou tecnicamente o funcionamento da distribuição de fibras óticas a partir do backbone (centro de transmissão de dados) para fazer com que os espectadores entendessem a necessidade de se investir em infra-estrutura – a qual, segundo ele, está sucateada. “É verdade dizer que as empresas de telecomunicação priorizam as zonas ricas do país. Sempre vão fazer isso. Por outro lado, elas tentaram entrar no jogo do PNBL, numa primeira conversa, quando o governo propôs um investimento de 70 milhões de reais”, contou. Para o presidente da ANID, esse valor não está muito longe daquele que custaria para pôr fibra ótica em todas as ruas do país. “Precisamos nos organizar para entender o estado da arte, o que é que se tem do ponto de vista de estrutura de telecomunicações e do governo, o que precisa ser feito para que a maior parte da população tenha acesso à internet”, reforçou.

Ao fim de sua fala, o debatedor mostrou enxergar também o problema da mensuração da velocidade ideal ao Plano. “Às vezes, o contrato diz que a conexão vai até 2 Mb, ou seja, pode variar entre 1 e 2 Mb. Vende-se uma velocidade, mas se limita o conteúdo. É o que a 3G está fazendo e é tema de defesa do consumidor”, comentou o presidente da ANID, abordando a política das conexões 3G em que, apesar de vender um pacote “ilimitado”, acaba estipulando uma quantidade máxima de dados a serem baixados num mês de uso (geralmente um ou dois gigabytes). “Ou seja, se eu baixar toda minha cota num dia, vou ter que ficar o resto do mês inteiro sem usar? Que conexão de 2 Mb é essa que eu não posso usar sete dias por semana, 24 horas por dia?”, concluiu Henriques.



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