Arte do canal

índice geral



Home / Jornalismo / Notícias

02/03/2011 - 14h10 - Atualizado em 14/05/2012 - 03h31

"Não acredito que a solução será outra senão a que o capital definir"

Lidia Zuin, monitora do Site de Jornalismo

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos Dantas, insiste na soberania do capital diante dos debates sobre a rede

Compartilhe:


Divulgação
Professor da UFRJ expôs sua visão
de como a internet é regida pelo
imperialismo

Marcos Dantas iniciou sua fala lembrando um dia em que precisou ir a uma central de cópias. “Fiquei três horas lá e, nesse tempo, o rapaz ouviu uma seqüência de shows no Youtube. Isso me lembra minha secretária doméstica quando ouve rádio enquanto trabalha”, opinou pouco antes de suscitar uma série de questões: “Qual é a diferença? O que está mudando na cultura? O que se está vendo na internet é muito diferente da TV e do rádio?” Para Dantas, não há muitas alterações, mesmo porque o professor considera as conversas no Twitter algo próximo do que se faz numa mesa de bar.

Enxergando a internet como uma criação de âmbito militar e “imperialista”, Dantas mostrou que seria natural ter a rede como mais uma forma de se ganhar dinheiro. “É a lógica do capital. O ambiente serve ao entretenimento, pode acelerar contas e negócios, pode fazer algo que já estava previsto”, argumentou. Dessa forma, o poder é auto-instituído de forma não social, já que este poder se relaciona com o saber técnico, da “autoridade técnica”. “A internet pode ser vista da mesma forma como Marx enxergava o telégrafo, que ele ajudaria a comunicação entre os trabalhadores. Não somente isso, mas agilizaria o controle, a fiscalização e a vigilância”, observou.

Do mesmo jeito, a internet acelerou alguns processos mercadológicos, como a reprodução de livros e CDs – que eram elementos comandados pela indústria e pelas lojas. “Esse tempo foi anulado pela rede e aí vem o problema, já que a quebra da barreira temporal era justamente o que permitia a renda gerada pela propriedade intelectual”, apontou Dantas.

O professor acredita que a rede deve proporcionar a ação da sociedade “contra as contradições do capital”, para o bem próprio. Sendo a internet um meio de recepção e emissão, o acadêmico acredita na verossimilhança de uma mobilização. “Se o rádio tivesse uma forma de responder, em 1927, com certeza Hitler não iria subir ao poder, porque alguém iria abordá-lo e dizer: ‘ei, palhaço!”, acrescentou o professor que, apesar de tudo, não se considera otimista. “Apesar de todas essas possibilidades, não acredito que a solução será outra senão a que o capital definir”, concluiu.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.