Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos Dantas, insiste na soberania do capital diante dos debates sobre a rede
Marcos Dantas iniciou sua fala lembrando um dia em que precisou ir a uma central de cópias. “Fiquei três horas lá e, nesse tempo, o rapaz ouviu uma seqüência de shows no Youtube. Isso me lembra minha secretária doméstica quando ouve rádio enquanto trabalha”, opinou pouco antes de suscitar uma série de questões: “Qual é a diferença? O que está mudando na cultura? O que se está vendo na internet é muito diferente da TV e do rádio?” Para Dantas, não há muitas alterações, mesmo porque o professor considera as conversas no Twitter algo próximo do que se faz numa mesa de bar.
Enxergando a internet como uma criação de âmbito militar e “imperialista”, Dantas mostrou que seria natural ter a rede como mais uma forma de se ganhar dinheiro. “É a lógica do capital. O ambiente serve ao entretenimento, pode acelerar contas e negócios, pode fazer algo que já estava previsto”, argumentou. Dessa forma, o poder é auto-instituído de forma não social, já que este poder se relaciona com o saber técnico, da “autoridade técnica”. “A internet pode ser vista da mesma forma como Marx enxergava o telégrafo, que ele ajudaria a comunicação entre os trabalhadores. Não somente isso, mas agilizaria o controle, a fiscalização e a vigilância”, observou.
Do mesmo jeito, a internet acelerou alguns processos mercadológicos, como a reprodução de livros e CDs – que eram elementos comandados pela indústria e pelas lojas. “Esse tempo foi anulado pela rede e aí vem o problema, já que a quebra da barreira temporal era justamente o que permitia a renda gerada pela propriedade intelectual”, apontou Dantas.
O professor acredita que a rede deve proporcionar a ação da sociedade “contra as contradições do capital”, para o bem próprio. Sendo a internet um meio de recepção e emissão, o acadêmico acredita na verossimilhança de uma mobilização. “Se o rádio tivesse uma forma de responder, em 1927, com certeza Hitler não iria subir ao poder, porque alguém iria abordá-lo e dizer: ‘ei, palhaço!”, acrescentou o professor que, apesar de tudo, não se considera otimista. “Apesar de todas essas possibilidades, não acredito que a solução será outra senão a que o capital definir”, concluiu.
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