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24/02/2011 - 17h41 - Atualizado em 20/05/2012 - 09h40

Desenho é coisa séria!

Tiago Mota, aluno do 2º ano de Jornalismo

Desde sua criação, o mercado de animações conquista mais espaço no cinema - tanto que "Toy Story 3" está entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2011

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Reprodução
Toy Story 3, Up - Altas Aventuras e
A Bela e A Fera, três animações
que já concorreram a Melhor Filme

Não é mais estranho entrar em uma sala de cinema para ver um filme infantil e se deparar com um bando de marmanjos rindo e, até mesmo, chorando a cada cena. Isso porque as animações cresceram e apareceram no cinema com o passar dos anos. A prova final é Toy Story 3, mais um blockbuster embalado pela Pixar em 2010. A história dos brinquedos é uma das indicadas ao Oscar de Melhor Filme – concorrendo com “gente grande”, como Cisne Negro, A Rede Social e O Discurso do Rei.

Em 1995, a franquia Toy Story marcou uma geração de pequeninos com o seu primeiro filme. Quinze anos depois, a última parte da trilogia apresentou enredo maduro, tendo em vista que seus espectadores deixaram de ser crianças. Sem dúvidas, um sucesso de crítica e de público. Além de estar entre os principais indicados da noite, Toy Story 3 também concorre a Melhor Animação, Melhor Canção Original e Edição de Som.

Marco Vale, vice-coordenador do curso de Rádio e Televisão e professor de História do Cinema da Faculdade Cásper Líbero, explica a trajetória do gênero: “A história da animação é mais antiga que a do próprio cinema”, afirma. Segundo o professor, as primeiras produções foram feitas por Emile Cohl, em 1904. No entanto, “o principal responsável pelo seu desenvolvimento foi Walt Disney, com o lançamento do primeiro desenho com som sincronizado e sistema de três cores (RGB) em 1928. Foi quando Mickey Mouse estreou, com o famoso curta Steamboat Willy”, completa.

Deve-se também ao Disney o lançamento do primeiro longa-metragem animado para cinema. Branca de Neve e Os Sete Anões estreou em 1937 e, de acordo com Marco Vale, “foi um investimento muito arriscado. Até então, todos acreditavam que desenhos animados só funcionavam enquanto curtos. Walt Disney provou que não era bem assim”. A animação tornou-se a 10ª maior bilheteria de todos os tempos em valores corrigidos e, em 1939, ganhou um Oscar honorário pelo reconhecimento de sua importância e sucesso. Na verdade, foram oito estatuetas: uma grande e outras sete “anãs”.

Após um longo período de produções de baixa qualidade, a Walt Disney Pictures lançou, em 1991, o clássico A Bela e A Fera. Um ano depois, lá estava o longa animado entre os indicados a Melhor Filme do Oscar. Não foi daquela vez, já que a estatueta foi para o Silêncio dos Inocentes. Para Isabela Boscov, crítica de cinema da revista Veja, “a reorganização da Disney causou um enorme encantamento e abriu alas para todas as animações seguintes”. Ficaram para o “desenho” os prêmios de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original.

A Bela e a Fera acendeu uma luz que, há tempos, estava apagada em Hollywood. A partir de então, passou-se a olhar com bons olhos o que era feito na aérea das animações. Isabela conta que elas “passaram a ser extraordinárias e começaram a conquistar espaço para a sua contemplação, embora a Academia tome tempo para tal”. Demorou, mas em 2002 surgiu uma nova categoria para o Oscar: Melhor Animação em Longa-Metragem. O primeiro vencedor foi Shrek, da Dreamworks.

Neste mercado, a Pixar é a principal atuante. Desde seu surgimento, ainda como uma divisão da Lucasfilm Ltd. em 1984, a empresa inovou ao produzir animações completas feitas por computação gráfica. De 2002 a 2010, o estúdio levou cinco estatuetas de melhor animação. Up – Altas Aventuras concorreu inclusive ao prêmio de Melhor Filme em 2010, prêmio que ficou com Guerra ao Terror. Foi a segunda vez na história que uma animação figurou entre as principais películas do Oscar. “A Pixar colocou a animação em outro patamar, com enorme qualidade, profundidade de roteiro e personagens complexos. São filmes que funcionam da mesma forma tanto para crianças quanto para adultos”, expõe Isabela.

A possibilidade de uma marca histórica no cinema ficará para a noite de 27 de fevereiro. Toy Story 3 já ganhou o Globo de Ouro de Melhor Animação e é o favorito na mesma categoria do Oscar, concorrendo com Como Treinar Seu Dragão e O Mágico. Porém, há a esperança de que a fita consiga se tornar a primeira a receber as graças de ser o filme do ano, na terceira tentativa do gênero nessa categoria.

O diretor Quentin Tarantino, em seu site The Quentin Tarantino Archives, colocou o longa da Pixar no topo dos melhores filmes de 2010. “Acho muito difícil isso acontecer. Os filmes que concorrem ao prêmio com o Toy Story 3 acabam tendo um peso cultural muito maior”, palpita Isabela. Resta aos fãs torcer.



Comentários Comentários Postados
Helena[28/02/2011 - 17:28]

Pra mim, desenho é coisa de gente grande. Quem nunca chorou na morte do Mufasa que atire a primeira pedra!

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