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17/02/2011 - 17h28 - Atualizado em 21/05/2012 - 11h28

Professoras da Faculdade Cásper Líbero contam suas experiências durante as manifestações no Egito

Jaqueline Gutierres e Thiago Tanji, alunos do 3º ano de Jornalismo

Ivoneti Ramadan e Maria da Conceição Campos, professoras de Língua Portuguesa, viajavam a turismo quando começaram os protestos que culminaram com a saída do ditador Hosni Mubarak

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Ver a história sendo escrita com seus próprios olhos. Uma oportunidade única e que, para as professoras de Língua Portuguesa da Faculdade Cásper Líbero, Ivoneti Ramadan e Maria da Conceição Campos, aconteceu quase por acaso. Afinal de contas, as duas chegaram ao Cairo, capital do Egito, no dia 15 de janeiro, por motivos turísticos. Dez dias depois, puderam presenciar o início dos protestos do povo egípcio, na praça Tahrir, que culminou com a saída do ditador Hosni Mubarak - que estava há 30 anos no poder.

Exigindo melhores condições sociais, econômicas e políticas, os manifestantes protestavam, em primeiro lugar, a imediata renúncia de Mubarak. Nos primeiros dias de protesto, o ditador não cedeu, chegando ao ponto de anunciar que ficaria no cargo até setembro deste ano – mês em que aconteceriam as eleições. Pressionado pelo povo egípcio e por grande parte da comunidade internacional, Hosni Mubarak foi obrigado a abandonar seu cargo na última sexta-feira, 11 de fevereiro. Seu posto foi assumido pelo Conselho Militar Supremo do Egito, que promete realizar uma transição democrática em, no máximo, seis meses.

Segundo Ivoneti Ramadan, a esmagadora maioria da população parecia apoiar a queda do ditador. “O que se via ali não era a rebelião de um povo árabe, nem a rebeldia de um povo islâmico, mas um movimento sincronizado da sociedade civil”, conta. Maria da Conceição Campos confirma a má qualidade de vida da população egípcia, porque, conversando com os cidadãos locais, ela concluiu que “todos foram unânimes em afirmar que a situação estava insustentável”. Segundo os egípcios, a miséria e a falta de recursos eram visíveis pelas ruas do Cairo.

A “revolução egípcia”, organizada principalmente através das redes sociais, como Facebook e Twitter, não foi um fato isolado no mundo árabe. O movimento foi inspirado no levante que havia ocorrido semanas antes na Tunísia, onde o governante Zine El Abidine Ben Ali foi deposto depois de 23 anos no poder. No Cairo, os manifestantes caminhavam pacificamente, recorda Ivonete, descrevendo-os como “jovens, em sua maioria protegidos e contidos por um cordão de isolamento composto por policiais, que estavam em prontidão por todo o Cairo”.

Sem aspirações violentas, o povo tinha um objetivo que seria alcançado até as últimas conseqüências. “No primeiro dia de protesto, deu para perceber que seria algo muito sério e que eles iriam até o fim em busca de suas aspirações, diga-se de passagem, muito justas”, comenta a professora Maria da Conceição.

Mesmo a manifestação sendo considerada pacífica, a ONU aponta o total de 300 mortes e milhares de feridos durante os 18 dias de protesto. A professora Ivoneti diz não ter visto nenhuma cena de violência, a não ser o sofrimento cotidiano do povo egípcio. “É muito fácil sensibilizar-se com as condições precárias em que vivem. Mais de um terço da população sobrevive com pouco mais de 40 dólares por mês. Um médico, um profissional liberal ganha em torno de mil dólares”, exemplifica. Ela complementa dizendo que não se sentiu ameaçada em nenhum momento, mas, logo após deixar o país soube que “outros brasileiros passaram por momentos de apuro, como por exemplo, ter de sair do hotel às pressas, de antecipar o voo, de atravessar a multidão arrastando malas.”

Ivoneti Ramadan ainda não formulou conclusões sobre os desdobramentos desse fato histórico. No entanto, ela utiliza a análise do professor Mohaed Habib, que mora no Brasil há 38 anos, para sustentar sua opinião a respeito do assunto. “O cenário político do Egito, hoje, busca uma superação de preconceitos do Ocidente para com o mundo islâmico. O país deve dar a mais ousada demonstração de que quer resolver problemas internos, sem perder de vista as soluções para a paz no Oriente Médio”, pontua. 



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