Filme de Edward Zwick une drama, doses de humor e crítica social
Rota de fuga inexiste em Amor e Outras Drogas, longa com direção de Edward Zwick (Tempo de Glória e Lendas da Paixão). Os opostos não possuem escapatória e se encontram, estabelecendo uma relação capaz de superar as dificuldades do desconhecido universo do companheirismo, agregado a temida intimidade. Os protagonistas dessa trama são Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) e Maggie Murdock (Anne Hathaway), que ultrapassam limites para (con)viver e consequentemente dividir os seus problemas e fraquezas.
Sem emprego e perspectiva, o garanhão Jamie decide investir em um ramo desconhecido para ele: o da indústria farmacêutica. Munido com toda sua lábia, começa a ceder amostras a influentes médicos do meio, na tentativa de que eles indiquem os medicamentos. Mas a sua carreira começa a deslanchar somente quando o laboratório lança um remédio que auxilia a ereção e ajuda no desempenho sexual, o Viagra. O sucesso é imediato, alavancando as vendas e tornando Jamie um vendedor bem-sucedido. Mas a grande recompensa, ele encontra no meio desse tortuoso trajeto: Maggie, o seu futuro caso amoroso.
Uma talentosa artista, livre e despojada, que não se permite conhecer ninguém a fundo. Esses atributos servem somente para camuflar a fragilidade que existe por trás da – aparentemente - vida bem resolvida de Maggie. Portadora do Mal de Parkinson, ela enfrenta uma rígida rotina com medicamentos que controlam a sua enfermidade.
Ao contrário de boa parte dos filmes que possuem um casal central com objetivos distintos, em Amor e Outras Drogas essas diferenças são o alicerce da relação do casal, com o diferencial que o relacionamento dos dois começa com Jamie ciente da doença da amada. Assim a obra expõe o cotidiano de uma pessoa que possui o Mal de Parkinson, mostrando as pequenas limitações da doença quando diagnosticada imediatamente, além da preocupação com o viés social, quando critica a liberação e compra exagerada de medicamentos de uma indústria que visa o lucro acima do bem-estar de quem os consome.
O final da década de 1990 é o pano de fundo da história, momento em que houve a ascensão do ramo farmacêutico. A divulgação das novas drogas foi explorada em diversos meios: propagandas em grandes redes de televisão e mídia impressa, além das frequentes notícias nos telejornais, onde o protagonista era o Viagra, remédio mais famoso e que trouxe mais lucros aos profissionais do setor.
O filme surpreende também pelas personagens secundárias que acrescentam humor à história. Josh Randall (Josh Gad), irmão de Jamie, é um típico nerd, viciado em games e pornografia na internet, mas não são apenas essas características que amenizam o tom dramático do longa, mas sim a inconveniência de Josh e as recorrentes intromissões - muitas vezes involuntárias - na intimidade do irmão com Maggie.
Amor e Outras Drogas lida com dramas pessoais que flertam de forma ousada com a realidade pouco amena da última década, além de discutir o avanço dos novos males e fazer uma necessária crítica social à venda exagerada de medicação, alimentando assim uma indústria caça-níquel. O filme encanta pelas doses de humor, mas também através do a que faz para uso de medicamentos, unindo elementos que exibem uma fórmula quase perfeita. Só não é perfeita por não conseguir prescrever a receita para a posse da maior e mais poderosa droga que aflige a todos: o amor.
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