Para ofuscar deficiência da história, “O Turista” aposta na força dos protagonistas
Muitas vezes ao assistirmos um filme com uma história pouco criativa, - mas com dois atores de peso - temos a impressão de que foi feito unicamente para que ambos tivessem a chance de contracenar, e isso não é necessariamente ruim. Muitas obras boas foram realizadas com essa ideia em mente logo no início do processo. Porém, ao tentar moldar o longa apenas no apelo dos protagonistas, o produtor faz uma aposta; no caso de O Turista, ela não vingou.
O filme protagonizado por Angelina Jolie e Johnny Depp não chega a ser ruim, mas faz uma clara tentativa de se sustentar no nome dos atores e nas locações de Veneza. Os dois não possuem a química necessária para nos convencer de que são um par romântico, forçando o espectador a prestar atenção na história, uma trama de espionagem que não agrada, deixando em dúvida o motivo para a indicação ao Globo de Ouro como “Melhor Comédia ou Musical”.
Namorada de um ladrão procurado, a personagem de Jolie começa a sair com um turista que conheceu em um trem, interpretado por Depp. Ela inicia uma relação com o rapaz com o intuito de que a polícia e os gangsters que procuram o ladrão, passem a perseguir o tal turista, achando que se trata da mesma pessoa. A premissa de espionagem e confusão de identidades parece mais batida nos tempos atuais, além de não funcionar tão bem quando levada a sério. A indicação ao Globo de Ouro parece ainda mais estranha, quando no mesmo ano, o filme Encontro Explosivo utilizou o mesmo tema e clichês, mas com dois atores que exibiam notório entrosamento (Tom Cruise e Cameron Diaz) e ainda era de fato uma comédia, encarada de maneira mais despretensiosa.
O Turista acaba sendo o tipo de filme que escapa do rótulo de obra medíocre, mas está longe de figurar nas listas das produções relevantes ao longo do ano. Certamente vai agradar fãs de Johnny Depp e Angelina Jolie, ou quem quer ver belas imagens da cidade de Veneza, mas vai desapontar quem for ao cinema com a intenção de assistir mais uma obra do diretor Florian Henckel von Donnersmarck (responsável por A Vida dos Outros, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro) ou baseado nas indicações ao Globo de Ouro.
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