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19/01/2011 - 11h37 - Atualizado em 22/05/2012 - 07h20

Drama destilado e da melhor safra

Por Thiago Rebouças, ex-aluno de Rádio e Televisão

Abalos da relação entre pai e filho marcam série de Greg Berlanti

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Reprodução
Elenco da atração reunido

Everwood é um drama intenso. A série, que durou quatro anos (2002-2006), foi marcada pela temática triste e abordagem direta de temas como morte e luto, considerados ‘’pesados’’ pelo grande público.

O enredo gira em torno do famoso neurocirurgião de Nova York, Andy Brown (Treat Williams), que possui uma carreira brilhante, mas não consegue dar atenção à esposa e filhos. Quando sua mulher morre tragicamente ele se depara com a difícil tarefa de criar sozinho um adolescente revoltado e uma menina de sete anos. A primeira atitude de Andy é abandonar a ‘Big Apple’ e levar os dois filhos para uma pequena cidade chamada Everwood, no distante estado do Colorado.

O episódio piloto, gravado no rigoroso inverno canadense, deixa claro para o espectador que a série não foge dos temas mais delicados. O cenário gélido da cidade para a qual a família Brown se muda é uma representação dos sentimentos de Andy e seus filhos Ephram e Delia (Gregory Smith e Vivien Cardone).

Ephram, o adolescente ressentido com o pai ausente, se apaixona por Amy (Emily VanCamp), cujo namorado está em coma há meses após um acidente de carro. Sem mais delongas, ela deixa claro para Ephram que precisa da ajuda dele para convencer o famoso Dr. Brown a operar o amado.

Esse pequeno trecho do enredo deixa claro que Everwood não é uma série adolescente, como The OC, por exemplo, pois uma pequena análise da história basta para notarmos de que se trata de um drama familiar.

A luta do Dr. Brown para se aproximar do filho adolescente e acompanhar o crescimento da caçula é repleta de dor, superação e esperança. A atuação de Treat Williams como o médico é avassaladora, e lhe rendeu uma indicação ao prêmio SAG (Screen Actors Guild – o sindicato dos atores). Ele consegue exprimir a profunda tristeza de um homem que perdeu a mulher de sua vida, mas que sabe que precisa buscar forças para continuar vivendo.

A interação absolutamente conflituosa entre pai e filho é um dos maiores atrativos da série; nas brigas entre Andy e Ephram percebemos a dor que os dois sofrem e o desespero na tentativa de viverem em paz.

Everwood foi criada por Greg Berlanti, que havia colaborado no roteiro de Dawson’s Creek. O seriado, durante quatro temporadas, tratou elegantemente de temas espinhosos como aborto, AIDS, depressão e homossexualidade; nunca teve grandes índices de audiência, mas sempre manteve uma legião fiel de telespectadores.

Com um roteiro forte e incisivo, atuações marcantes e uma inesquecível trilha de violino para a abertura (composta por Blake Neely), a série deixa saudade.

O término de Everwood foi cercado por polêmica. O canal exibidor, Warner, passava por sérios problemas financeiros e se fundiu com o UPN, outra rede de tv que ‘ia mal das pernas’. O novo canal gerado pela união de Warner e UPN foi o CW, cuja grade foi formada pelos produtos de maiores audiências dos seus progenitores. Assim, seriados como Supernatural, Smallville e America’s Next Top Model foram os primeiros a serem confirmados.

Até o dia do anúncio oficial da grade de programação, existia a esperança de que Everwood pudesse ser escolhida e renovada, mas os índices de audiência não convenceram os executivos de que a série merecia continuar no CW.

O último episódio, exibido em 5 de junho de 2006 com duas horas de duração, marcou o encerramento digno de um drama familiar poucas vezes visto na história da TV americana.



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