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18/01/2011 - 17h54 - Atualizado em 22/05/2012 - 12h42

Por dentro do crepúsculo

Por Fernanda Patrocínio, aluna do 4º ano de Jornalismo

Entre guerras, ficção científica e medo: Rod Serling cria nova estética televisiva

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Reprodução
Cena do episódio The eye of the beholder

Para os fãs de histórias fantásticas, o seriado The Twilight Zone é garantia de diversão. Conhecido aqui como Além da Imaginação, a série americana criada por Rod Serling, em 1958, mesclava ficção científica, horror e fantasia. Apesar do baixo orçamento foi líder de audiência nos EUA no início da década de 1960 e até hoje é considerada um marco televisivo, tanto no enredo quanto na estética.

Com episódios gravados em película, Serling mostrava pessoas comuns em meio ao fantasioso, de modo a fazer críticas alegóricas aos valores e angústias da época, marcada pelos preconceitos do mundo bipolarizado entre EUA e URSS. Com forte cunho moral, personagens que apresentavam comportamento racista, sobretudo nazista, eram castigados no enredo.

O criador ironizava a Guerra Fria através de recursos técnicos e estéticos como jogos de câmera, luz e sombra para ocultar rostos de personagens. No episódio The eye of the beholder, da segunda temporada, esses elementos auxiliam o telespectador a questionar temas como a felicidade fora dos padrões impostos pela sociedade americana.

A marcante música da abertura da série foi feita por Bernard Herrmann, que cuidou da trilha sonora de clássicos do cinema como Cidadão Kane, de Orson Welles, e Psicose, de Alfred Hitchcock. O cuidado estético dos episódios em muito lembra o expressionismo alemão. E é notória a influência da literatura fantástica de H.P. Lovercraft e de Edgar Allan Poe.

O próprio nome do seriado já remete a essa oportunidade de vazão imaginativa: Twilight Zone, em tradução livre significa zona do crepúsculo, fazendo uma alegoria ao limite entre o real e o imaginário. Dirigido por Ronald Winston, o episódio The masters are due on maple street, da primeira temporada, inseria os personagens em situações surreais, potencializando os nossos medos mais primitivos até chegar ao distorcido e absurdo. As experiência pessoais de Rod Serling serviam de base para a criação do seriado, que neste caso se inspirou em sua experiência na guerra das Filipinas.

Rod era também o narrador da série que sempre contava com o seguinte texto introdutório: “Há uma quinta dimensão além das conhecidas pelo homem. É uma tão grande quanto o espaço e tão eterna quanto o infinito. È o lugar entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; situa-se entre os medos do homem e o seu conhecimento. Esta é a dimensão da imaginação. È a área a que chamamos de ‘Além da imaginação’”. O canal americano CBS foi quem transmitiu a atração em suas três fases, que teve a primeira como a mais famosa, com cinco temporadas, totalizando 156 episódios.

Conhecido como “Senhor Twilight Zone”, Rod se mostrou insatisfeito a partir da quarta temporada. Com o cancelamento da série em 1964, fez o roteiro de O Planeta dos Macacos (1968) e em 1970 criou a Galeria do Horror – programa semanal em que trabalhou com diferentes diretores novatos, entre eles Steven Spielberg. A iniciativa durou apenas três anos e, em 1975, Serling morreu após sofrer o terceiro enfarte em plena mesa de cirúrgia.

Em 1983, Twilight Zone foi lançado em filme, de forma homônima, e contou com a produção de Spielberg. A película fez a releitura de três episódios da série original e inclui mais um conto inédito. Na mesma década foi lançada a segunda fase do seriado, que teve qualidade e audiência inferiores. A terceira fase foi transmitida entre 2002 e 2003 pelo canal UPN e contou com o ator Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia) como narrador. O novo fracasso culminou no cancelamento da série.

No Brasil, Além da Imaginação foi exibido pela TV Gazeta, no final dos anos 1980. Entre 2005 e 2006, o SBT transmitiu 22 episódios da terceira fase do seriado. Apesar de impopular nos dias de hoje, Twilight Zone é um marco nos anos dourados da TV americana e ainda hoje influencia, como pode ser claramente nota-se nas narrativas de Stephen King e séries como Lost.



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