Lembranças da série "Friends" e uma volta ao passado mais cômico da televisão americana
Em 2004, Friends, uma das mais premiadas séries de comédia de todos os tempos, chegou ao fim após uma década de existência. Porém, os fãs não conseguem abandonar o charme de Rachel (Jennifer Aniston), a mania de organização de Monica (Courtney Cox), a excentricidade de Phoebe (Lisa Kudrow), o “how you doing?” de Joey Tribbiani (Matt LeBlanc), o sarcasmo de Chandler Bing (Matthew Perry) e o jeito nerd de Ross Geller (David Schwimmer).
A produção de David Crane e Marta Kauffman, em associação com a Warner Brothers Television, foi ambientada em Manhatan, embora tenha sido gravada na Califórnia. O sitcom estreou na cobiçada grade horária Must See TV e bateu recordes de audiência: o último episódio, por exemplo, foi assistido por 52,5 milhões de pessoas. Até hoje, Friends é reprisado por canais de TV a cabo, como a Warner Channel no Brasil.
A história envolve seis amigos que se conheceram de diferentes formas. O destino os colocou no mesmo círculo de amizade, criando uma sólida base de relações humanas. Quer dizer, não tão sólida assim, se o efeito em quem assiste é cair na risada.
Os personagens têm um estilo próprio e se complementam. Rachel traz da adolescência o charme de cheerleader, época em que Ross já a amava e sonhava com uma carreira científica. Chandler já era amigo de Ross e fazia piadas sobre qualquer comentário do companheiro. Monica, irmã de Ross e já amiga de Rachel, abandonou seus quilos extras e passou a nutrir uma obsessão compulsiva por limpeza.
Joey, depois de muitos papéis em comerciais de TV (nem sempre obtidos de forma justa como, por exemplo, transando com a produtora), entrou para o elenco da famosa novela Days Of Our Lives. Já Phoebe carregava no seu histórico um passado de violência e miséria nas ruas. Ambos eram os personagens de menor inteligência, ou, pensando em Joey, os de maior burrice.
O café Central Perk, principal ponto de encontro em Friends, foi apresentado logo na primeira temporada. Muitos fãs ainda sonham em se sentar no aconchegante sofá da coffeehouse mais lembrada da história da televisão norte-americana. O local foi usado pelo sexteto para conversas espontâneas, discussões amorosas, fofocas e piadas de sobra. Não era nada fácil para Gunther, o dono do estabelecimento, servir café e muffins para os seis amigos enquanto estes compartilhavam suas histórias sinistras do dia anterior.
A cidade cenográfica de Nova York e os apartamentos dos personagens receberam muitas participações especiais. Algumas se tornaram mais íntimas, como Mike (Paul Rudd), que aparece na nona temporada e torna-se marido de Phoebe na décima.
Outro ingrediente responsável pelo sucesso de Friends foi o entrosamento entre os atores, que transcendeu o convívio nos bastidores. Nos ensaios fotográficos para o lançamento da primeira temporada, o sexteto não aceitava posar para fotos individuais, já que todos, a pedido dos produtores, deveriam ter a mesma relevância nas cenas. Os seis sobressaíram-se como protagonistas por meio do roteiro cuidadosamente redigido, da divisão justa de cenas entre eles e da mesma atenção recebida por cada ator no processo de divulgação.
A série terminou no momento exato, garantindo a satisfação plena do público, que não teve de assistir a piadas enjoativas e repetitivas. Dez temporadas foram suficientes para mostrar o amadurecimento dos personagens e dos próprios atores. No entanto, elas não conseguiram cansar o espectador que jamais deixou de acompanhar essa década memorável da televisão. O humor dos seis melhores amigos da TV americana permanecerá vivo enquanto existirem pessoas simplesmente dispostas a rirem de boas histórias.
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