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13/12/2010 - 16h00 - Atualizado em 21/05/2012 - 02h13

Seminário de Jornalismo Cultural discute os desdobramentos da crítica na mídia tradicional e nos meios digitais

Luana Fagundes, 2º ano de Jornalismo

Debate questiona quem faz a crítica contemporânea e onde ela se manifesta

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A abertura da terceira edição do Seminário Internacional Rumos de Jornalismo Cultural aconteceu na tarde da última quarta-feira, dia 8 de dezembro, no Itaú Cultural. A mesa “O valor da crítica” trouxe à discussão o professor Fabio Malini, o jornalista e editor de cultura da revista Época, Luís Antônio Giron, e o fundador e editor da revista britânica Loud and Quiet, Stuart Stubbs.

O mediador e professor Jeder Janotti iniciou o debate apontando a contribuição da crítica cultural para os novos tempos. “Vivemos uma época em que a crítica cultural parece seguir as transformações das indústrias culturais e do entretenimento”, afirma.

De acordo com Fabio Malini, “a crítica se dilui num universo amplo, que é a internet”, apesar de muitos acreditarem que ela vive um processo de declínio. Malini refuta essa idéia por meio dos 450.000 resultados da busca pelo termo “crítica Tropa de Elite” no Google.

O exemplo leva a concluir que antigos modelos e formatos dividem espaço com a flexibilidade proporcionada pelas novas mídias. Malini explica que “a rede é o autor”, isto é, não existe mais um grupo seleto de críticos que se isolam para construir a análise. Todos podem refletir e opinar publicamente a respeito de um assunto. “Sai-se do circuito laboratorial para a construção coletiva”, complementa.

Diante desse novo paradigma, não há públicos específicos: todos discutem, recomendam, clicam em links que levam a novas reflexões. Para Malini, há colaboração de todos na construção do conhecimento online.

O professor chama atenção ainda para a crítica dos blogs, que influencia determinados nichos. “Assistimos à liberação da perspectiva de produção da verdade”, opina. Para Malini, sabe-se, portanto, que a verdade não é construída unicamente por especialistas, em ambiente restrito, mas que “ela se cria no espaço público e agora pode ser produzida por muitos."

Para Luís Antônio Giron, a crítica das mídias tradicionais ainda existe e é respeitada, mesmo com a internet. “Crítica é serviço, gênero literário, expressão artística”, define. O jornalista destaca o blog como ferramenta que potencializou esse gênero de escrita e “deu a chance de qualquer um se tornar crítico”.

A consequência disso é a explosão de análises na web, o que não se traduz necessariamente em qualidade. Giron ressalta a importância de se viver e refletir seriamente acerca dos acontecimentos culturais e artísticos. “É necessário cultivar a crítica de uma maneira mais consequente, pois o valor dela é de uso importante."

Stuart Stubbs afirmou que a publicação Loud and Quiet foi pensada com o objetivo de trazer uma nova maneira de representar a música. Segundo ele, por mais que, em alguns casos, as bandas mencionadas na revista já tenham sido ouvidas no MySpace e nos blogs, “a plataforma física tem autoridade e encanta”, referindo-se às pessoas que preferem ler o conteúdo na revista por poder tocá-la.

Assim, Stubbs levanta as diferenças de relações do leitor com o produto. “Há os que apontam falhas na crítica do mundo digital porque gera 'achismo' e não tem profundidade. Outros enxergam que, apesar disso, ela não deixa de contribuir para a liberdade de opiniões”, pondera.

O editor acredita que “os blogs precisam de auto-conscientização dos critérios que norteiam a crítica cultural” para não prejudicar o processo de construção do conhecimento via internet. Fazendo uso adequado dessa ferramenta, a produção gera resultados positivos, pois “não sustenta vínculos com agenda e organizadores”, o que contribui para a circulação de correntes de pensamento. 



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