No segundo dia de seminários realizado pelo Itaú Cultural, debatedores falaram sobre as mudanças necessárias para manter o sucesso de uma publicação
No dia 9 de dezembro, a segunda mesa de debates do III Seminário Internacional Rumos do Jornalismo Cultural teve início às 19h30. Nomeada “Audiência: Renovar para Preservar”, a discussão abordou estratégias que um veículo pode adotar para manter viva sua publicação em meio às novas mídias.
Três jornalistas participaram do debate: o mediador Cassiano Elex Machado (diretor editorial da CosacNaif), Blake Eskin (editor de web do The New Yorker Out Loud) e Pablo Miyazawa (editor da Rolling Stone Brasil). Na programação, a mesa ainda contaria com Marcos Strecker, editor de mídias sociais do jornal Folha de S.Paulo, porém ele não pôde comparecer.
O primeiro a falar foi o norte-americano Blake Eskin, que apresentou o site da revista e afirmou a importância das inovações para se sustentar um periódico em meio à tecnologia atual. O editor de web entende que o objetivo da The New Yorker, além de conseguir novos leitores, é manter a boa reputação com seu público.
A internet serve como instrumento de interatividade para quem já conhece a revista, através de concursos de redação, de desenhos gráficos e de charges, além de possibilitar abordagens mais amplas de assuntos que o impresso não aprofunda por falta de espaço. A web também dá lugar a temas que não cabem à revista publicar por serem totalmente dependentes de outras mídias – áudios e vídeos, por exemplo.
Segundo Eskin, há na tecnologia a possibilidade de se manter fiel ao espírito da publicação. Para isso é necessária uma equipe competente e disposta a pensar a mídia, o que não é fácil de conseguir. Também é preciso haver um projeto de real inserção da revista na rede, que não seja apenas colocar seu conteúdo online, mas explorar as possibilidades da mídia que se tem à disposição.
Pablo Miyazawa, da Rolling Stone Brasil, iniciou sua fala ressaltando os desafios de se transmitir a filosofia de uma publicação de 43 anos de existência e que é parte da cultura norte-americana. “Lá, ela dá nome pra filmes, entra em letras de músicas, ou seja, ela tem um significado que é difícil de traduzir para o leitor brasileiro”, comentou.
Há quatro anos no Brasil, a publicação sobrevive sem grandes crises, é bem aceita pelo público e não sofre com falta de anunciantes. A isso se atribui seu pioneirismo, ao ocupar um espaço que não existia antes: o da cultura pop internacional. Segundo o editor, “o sucesso aconteceu não porque nós consumimos passivamente a cultura, mas porque nós conseguimos abrasileirar o jeito norte americano de fazer jornalismo”.
Com relação aos leitores, Miyazawa acredita que grande parcela é composta por pessoas que foram adolescentes nos anos 1960 e 70. Ou seja, aqueles que cresceram com o costume de ir às bancas e ler os impressos. O editor argumentou dizendo que os números mais vendidos da Rolling Stone brasileira são os que levam na capa artistas clássicos do rock, como Jimi Hendrix, Rolling Stones e Beatles, e não os que mostram atrizes globais ou novos músicos.
Cultivando um público de adultos, a revista que sempre foi destinada a jovens encontra um problema. “Eu não acredito que tenhamos a capacidade de ‘catequizar’ essa geração, de convencê-los a comprar uma revista todo mês, mesmo quando o assunto da capa não é interessante para eles”, explicou Miyazawa, preocupado com o rumo que o impresso vai tomar.
Com seu nascimento permeado por um contexto internacional conturbado, uma das dificuldades encontradas pelos editores é entender o que se espera da revista. “Deseja-se que ela seja desbravadora e politizada como era quando surgiu, mas é difícil explicar para quem acompanhou aquela época que a vida não é mais a mesma”, comentou Miyazawa. Como não se pode ficar aguardando uma mudança brutal na sociedade para que a revista ganhe força, é preciso se adaptar ao que o mundo é hoje. É preciso renovar.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.