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13/12/2010 - 15h04 - Atualizado em 22/05/2012 - 14h14

Editores debatem mudanças no atual modelo de jornalismo digital

Bárbara Ferreira, 2º ano de Jornalismo

No III Seminário Internacional Rumos do Jornalismo Cultural, jornalistas do Scream and Yell, UOL e The Guardian debatem novidades na profissão

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Na última quinta-feira, 9 de dezembro, segundo dia do III Seminário Internacional Rumos do Jornalismo Cultural, foi discutida a função do editor diante das mídias digitais e as mudanças que esse novo formato provoca no jornalismo cultural e na relação com o público.

A mesa O editor e as possíveis narrativas teve início às 17h30 e foi mediada por Fernanda Cerávolo, curadora do MediaOn (Seminário Internacional de Jornalismo Online). Os palestrantes convidados foram Marcelo Costa (editor do site de música Scream and Yell), Jan Fjeld (diretor de ShowBiz do portal Uol) e Alex Needham (editor de cultura do site do jornal britânico The Guardian).

Costa foi o primeiro convidado a discursar. Ele explicou que a internet possibilitou a fuga da “edição por toques”, método baseado em um determinado número de caracteres a se atingir no tamanho de um texto. Para Marcelo, a falta de limites estabelecidos nas publicações digitais permite que sites, como o Scream & Yell, adotem a disponibilização de extensas matérias como um formato editorial. "Um 'entrevistão' no Scream & Yell pode chegar a ter 20 páginas impressas. A gente só tira a gordura", explicou. Contudo, o editor ainda fez um a quanto aos problemas dessa liberdade de publicação, que é o de muitos autores ultrapassarem os limites.

Com relação à mídia alternativa, Costa destacou a vantagem de um veículo independente, que é a falta de amarras. Ele afirma que o site do qual é editor busca dar espaço para bandas pouco conhecidas, além de retratar toda a idéia do que o artista pretende. Ao dizer que o foco da publicação é a novidade, ele completou: "O meu compromisso com o leitor é trazer o que é bom". Ele explicou que nesse tipo de mídia, o espaço para os novos artistas é maior. "Em uma Rolling Stone ou Billboard, eles teriam só uma nota."

O processo de edição, para Costa, ficou mais fácil porque há mais ferramentas que possibilitam o trabalho jornalístico.  O editor salientou que o leitor ajuda nesse processo, porque interage e exige as informações que procura. Ele também indicou que um jovem jornalista tem que saber sobre as novidades e ter personalidade no trabalho que produz.

O norueguês Jan Fjeld, diretor de ShowBiz do Uol Música, foi o segundo palestrante. Ele falou sobre a importância dos filtros na edição dos conteúdos digitais. Explicou que os próprios blogs são filtros de informações, porque a moderação de comentários, por exemplo, é uma seleção de conteúdo. Para lustrar, Fjeld citou, inclusive, uma frase do jornalista e pesquisador Clay Shirky: “Não há excesso de informações, há excesso de falhas nos filtros”.

Para Fjeld, o papel do jornalista é contextualizar o que será disponibilizado.  Ele explicou que, ao passo em que há mais mecanismos para se apurar, o que facilita o trabalho do editor, as fontes também se tornam mais duvidosas. O modo de fazer a checagem de informações na era digital, para ele, ainda segue o formato jornalístico. "Ficou mais nítida a necessidade do editor de editar a informação", afirmou.

Fjeld mostrou os projetos do Uol Música com artistas e bandas, como Skank e Luan Santana, para exemplificar a atuação do veículo. No caso do cantor, o portal transmitiu um show ao vivo e ainda o disponibilizou em salas de bate-papo. “O resultado nas mídias sociais foi que a repercussão fez com que o show se tornasse Trending Topic no Twitter”, contou. Quanto ao Skank, que tem parceria com o Uol Música, Fjeld lembrou quando o vocalista, Samuel Rosa, deu aulas de violão online.

O editor explicou que esses artistas não precisavam de nada disso, porque já são famosos, mas eles cativam os fãs participando das novidades tecnológicas. Para Fjeld, apesar do contato direto entre o artista e o público, o jornalista ainda tem a responsabilidade de contextualizar o leitor e informá-lo por completo. No entanto, ele mostrou acreditar que as pessoas não estão preparadas para esse tipo de filtragem de conteúdos na rede: "A gente quer um filtro? Talvez não. Está tudo aí".

Alex Needham, editor de cultura do site guardian.co.uk, do jornal britânico The Guardian, mostrou que elaborar o conteúdo digital é diferente de produzir o material impresso e apontou alguns dos detalhes para os quais os editores de sites se atentam. Ele explicou que o bom jornalista tem que ter a mente aberta a novas idéias e saber escrever bem. E é categórico em relação à profissão: "Você precisa ser melhor, porque todo mundo, hoje, tem uma opinião a dar." 

Para Needham, é necessário confiar em quem escreve, que é o que garante o espaço do jornalismo na internet frente à grande quantidade de blogs. Ele afirmou ainda que os recentes vazamentos de documentos oficiais pelo site WikiLeaks são um exemplo da importância do jornalista em contextualizar os fatos para o leitor.



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