TCC explora o discurso melodramático que pautou a cobertura do sequestro de Eloá Cristina, feita pelo programa “Brasil Urgente”
Cobertura de casos polêmicos e perseguições policiais ganham uma carga extra de emoção na voz de José Luiz Datena, quem está a frente do programa “Brasil urgente”, da Rede Bandeirantes.
Foi pensando no estilo marcante do apresentador que a aluna Beatriz Behar preparou um projeto monográfico, orientado pelo professor Wellington Andrade, que investiga a apropriação de elementos literários melodramáticos utilizados no discurso de José Luiz Datena na cobertura do sequestro de Eloá Cristina, em 2008.
A banca avaliadora foi presidida pela professora Daniela Ramos e contou com a participação do professor de telejornalismo Fernando Simão e da convidada Valéria Paz de Almeida.
Com base nos estudos, a aluna explicou que o comportamento de Datena caracteriza-se pela teatralidade, pelo uso de expressões imprecisas e pelo posicionamento maniqueísta que o faz dividir a sociedade em injustiçados (bem) e criminosos (mal). Além disso, as análises das imagens permitem afirmar que o apresentador frequentemente clama por justiça e utiliza recursos tecnológicos para espetacularizar a notícia.
Após a exibição de um trecho da atração, Beatriz aponta os elementos característicos do melodrama e da indústria cultural no discurso de Datena. Dentre elas, a que mais se destacou foi a preocupação excessiva do apresentador em manter o público atento e entretido, mesmo quando deveria estar apenas informado.
A aluna concluiu que a utilização de novos meios possibilitou a permanência desse gênero na televisão e que os programas perdem audiência e credibilidade quando privilegiam formatos melodramáticos de veiculação da notícia em detrimento do conteúdo. Para ela, “o jornal deve informar dentro dos limites éticos” e priorizar a informação, independentemente de utilizar o melodrama.
O professor Fernando Simão elogiou o trabalho, afirmando que a aluna conseguiu expor as razões pelas quais algumas pessoas se sentem incomodadas com o que assistem e não sabem por quê. Ele concorda que angariar a audiência só é possível com a precisão de informações e que, em se tratando de TV, para conseguir transmitir a verdade e a emoção, não há problema em utilizar recursos melodramáticos.
A convidada Valéria Paz de Almeida ressaltou o empenho da aluna em estudar os métodos de produção de telejornal e suas implicações em programas de largo alcance. Entretanto, fez críticas em relação à pouca clareza do objetivo do trabalho e sugeriu que a abordagem poderia ser mais inovadora e atualizada.
Por fim, chamou a atenção da professora Daniela Ramos o fato de alguém que trabalha com televisão e edição, como é o caso de Beatriz, desenvolver um estudo sobre cobertura televisiva, aliando a teoria com a prática. Porém, a professora argumentou que o estudo se prendeu à literatura e não fez um gancho com o discurso verbo-visual do apresentador. Além disso, ela afirmou que a apropriação da ferramenta melodramática ocorre efetivamente e sugeriu que a abordagem se preocupasse em pensar os efeitos dessa utilização na sociedade.
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